Duo Las Pájaras lança álbum autoral nesta terça em Curitiba

Las Pájaras e banda apresentam investigação sobre voz, feminino e tradição oral que aborda o canto como um processo regenerativo Da redação (Las Pájaras, formado por Patricia Mar e Ailén Maria, lança álbum com show na CAIXA Cultural Curitiba. Foto: Thaís Itapema) As cantoras e compositoras Patricia Mar e Ailén María apresentam, no dia 26 de maio, às 20h, na Caixa Cultural Curitiba, o show de lançamento do álbum Las Pájaras, primeiro trabalho do duo. Ao lado de sua banda, com instrumentos tradicionais e étnicos, o espetáculo marca a materialização de uma pesquisa artística construída ao longo de anos de investigação sobre voz e ancestralidade.  Com composições autorais em português e espanhol, o duo percorre referências da música folclórica latino-americana, ibérica e brasileira, criando uma experiência lúdica que atravessa o concerto, para se tornar um encontro coletivo. Para Patricia Mar, as vozes trazem a força que há na delicadeza, num resultado que demonstra a potência dos cantos de mulheres. “Num contexto mundial que estimula tanto a competição e o embate, criar músicas que nutram nossa união e sensibilidade é um acalento pro coração”, afirma.  “O show percorre as diversas paisagens sonoras do álbum, atravessa diferentes territórios, biomas, poéticas e referências”, completa. Produzido por Du Gomide entre 2025 e 2026, o álbum foi realizado em colaboração com os multi-instrumentistas Day Battisti, Rodolfo Caldeira e Bruno Salvatierra. O disco nasceu de processos investigativos cultivados individualmente pelas artistas há mais de uma década, aprofundados em parceria desde 2019. A trajetória do duo também dialoga com trabalhos voltados à expansão da voz e do corpo como ferramentas de criação e transformação, desenvolvidos em vivências, retiros e laboratórios artísticos. Ailén María destaca o encontro de trajetórias e culturas que atravessam o projeto. “Dizemos que o álbum ficou um ano em processo de elaboração, mas o processo criativo e tudo o que ele representa vem de anos e anos de profundas vivências e aprendizados”, afirma. “Somos artistas de países e culturas diferentes, e isso traz um tempero especial para o trabalho. Partilhamos nossas histórias, idiomas e expressões próprias, construindo um álbum que retrata nossas jornadas pessoais, mas sempre em diálogo com um universo coletivo”. Vale lembrar que o álbum conta com sete canções, das quais duas têm videoclipes lançados recentemente em plataformas virtuais (que podem ser conferidos aqui e aqui), com direção de Gustavo Berg. (Las Pájaras, em ensaio em meio à natureza. Foto: Gustavo Berg) Para as artistas, as canções “Nido” e “Roda que Gira” retratam as paisagens que o duo busca evidenciar, já que ambos os videoclipes foram filmados em meio à natureza, onde as composições foram escritas. “Enquanto Nido convoca um olhar para dentro, ao fortalecimento desse passarinho que nos habita e precisa de cuidado para um dia poder voar, Roda que Gira nos convida a reconhecer a impermanência e movimento da vida com muita celebração”, afirma Ailén. As artistas Nascida em Buenos Aires e radicada no Brasil desde a adolescência, Ailén María, atriz de formação, desenvolve uma pesquisa artística ligada ao corpo-voz, à música ritualística e aos saberes originários. Já Patricia Mar, além de cantora e compositora, é comunicadora formada em jornalismo e atua em pesquisas sobre saberes femininos, ancestralidade e expressão vocal.  Juntas também desenvolvem o “Vozes Alquímicas”, uma proposta pedagógica em formato de retiro e oficinas, que busca partilhar ferramentas criativas e terapêuticas que expandem a expressão através da voz. Esta oficina será oferecida de forma gratuita na Caixa Cultural, no sábado (16), às 15h.  O formulário para inscrição pode ser acessado no site ou redes sociais da instituição.  O projeto é realizado com recursos do Programa de Apoio, Fomento e Incentivo à Cultura de Curitiba e da Prefeitura da capital paranaense, além de contar com incentivo do IOP (Instituto de Oncologia do Paraná), do Instituto Joanir Zonta – Condor e apoio da Caixa.  Serviço  Show de lançamento do álbum Las Pájaras  Local: Caixa Cultural Curitiba – R. Conselheiro Laurindo, 280 – Centro, Curitiba – PR Data: 26 de maio de 2026  Horário: 19h  Redes Sociais:  @laspajaras.duo @[email protected]_ Instagram Twitter Youtube Tiktok

Hiperobjetificação na cultura pop

Performances hipersexualizadas, sob pretexto de empoderamento e liberdade feminina, servem a interesses de submissão a fetiches sexuais masculinistas Melissa de Aguiar Performances cada vez mais sexualizadas. Clipes que objetificam a nudez feminina, com pernas abertas e closes de partes íntimas. A sociedade cada vez mais se dessensibiliza para o softporn, e cada vez mais é preciso radicalizar para alcançar o choque. Ao assistir videoclipes que eram considerados eróticos nos anos 2000, temos um choque ao perceber que nada daquilo nos surpreende mais. A dessensibilização da pornografia na cultura pop recebeu uma máxima representação com o filme ganhador do Oscar, Anora (2024). A exploração do corpo feminino sempre foi muito acentuada pela cultura misógina e se potencializou com o surgimento dos meios de comunicação, principalmente audiovisuais. Anora pode ser considerada a representação máxima desse fenômeno por ser uma visão masculinista – não apenas masculina –, da garota de programa. O diretor Sean Baker se envolveu em polêmicas por posturas pró-pornografia e por seguir páginas com conteúdo sexual de soldadas israelenses.  Em nossa cultura visual e globalizada de exposição cada vez mais extrema, a cultura pop tem promovido um cenário onde a sexualização do corpo feminino se tornou não apenas comum, mas esperada. Performances hipersensuais, quase mecânicas, são reflexos de um fenômeno chamado pela pesquisadora feminista Gail Dines de cultura pornificada. Mais do que estética, trata-se de uma estratégia de mercado que transforma mulheres em mercadoria – algo altamente lucrativo dentro do sistema capitalista. Segundo Gail Dines, vivemos uma banalização da pornografia na mídia, com imagens cada vez mais erotizadas, ainda que sutis. Influenciando nosso cotidiano e, principalmente, a construção da nossa sexualidade – cada vez mais moldada pela misoginia. Essa erotização, longe de ser libertadora, está mais associada à reafirmação de valores patriarcais do que a uma real emancipação feminina. (Ricci e Pereira, 2022) Primeira mulher trans a cursar doutorado na UnB e primeira gestora do sistema de cotas daquela universidade, a professora Dra. Jaqueline Gomes de Jesus (IFRJ) destaca que meninas jovens, especialmente das periferias, são empurradas para esse padrão em busca de reconhecimento. Referência em estudos sobre saúde mental de minorias, Jaqueline afirma que “para ser reconhecida como sujeito, essa mulher jovem, principalmente de correntes periféricas, só consegue ser vista e reconhecida por meio da sexualização e enquanto objeto sexual”, em entrevista a Sofia Albuquerque e Otávio Pinheiro.  Esse ciclo é reforçado por uma indústria cultural essencialmente masculinista, que lucra ao  sexualizar artistas mulheres. A objetificação tem consequências graves: contribui para a baixa autoestima, distúrbios alimentares, transtornos de imagem. Além disso, expõe crianças e adolescentes a um universo adulto sem a devida orientação, afetando o desenvolvimento emocional e social. A gravidez precoce, como aponta o Fundo de População das Nações Unidas (Unfpa) em pesquisa de 2020, ainda é uma das maiores causas de evasão escolar entre meninas no Brasil. Colagem: Melissa Aguiar Para compreender a evolução desse fenômeno, é importante entender que esse apelo cada vez mais agressivo da nudez e da objetificação do corpo feminino das artistas do entretenimento tem uma origem histórica. Os ideais de libertação das lutas feministas nas décadas de 1960 e 1970 foram distorcidos pelo neoliberalismo e deram início ao que se chama de Revolução sexual frustrada.  Os avanços feministas foram cooptados pelo capitalismo e o que antes tinha um poder emancipador (discussões sobre gênero, sexualidade) foi resignado. Basta observarmos como os discursos sobre sexualidade e gênero migraram de uma perspectiva contestatória para uma de afirmação. A artista pop de hoje precisa não apenas cantar, mas expor detalhes de sua vida íntima e de seu corpo para ser notada. E quanto mais objetificada for sua imagem, maior será o alcance. É um ciclo que se retroalimenta pela própria sociedade, que valida tais práticas. Conforme Karla Costa (2022), professora Dra. da UECE e líder do GPOSSHE (Grupo de Pesquisa Ontologia do Ser Social, História, Educação e Emancipação Humana) aponta, não são as próprias mulheres que dominam a cultura pop. E, mesmo quando estão em posições de certa liderança, ainda assim suas escolhas são agenciadas por uma ideologia masculinista:  “[…] a indústria cultural é majoritariamente masculina, a sexualização das cantoras atende um mercado que não é dominado por elas; e a hipersexualização pode trabalhar mais para a própria opressão das mulheres do que para o seu empoderamento. […] O que eu quero destacar é que a sexualização das cantoras é uma estratégia e que essa estratégia só é um sucesso porque a sociedade consome esse tipo de conteúdo. É um processo que se retroalimenta. As mulheres são objetificadas, a objetificação das mulheres vende, as mulheres serão produtos e empresárias de sua própria objetificação. Por trás dessa lógica, está sim o capitalismo. No capitalismo, tudo é mercadoria”. A mulher é, para o capitalismo, uma das mercadorias mais rentáveis, já que desempenha tarefas úteis e não pagas. Na origem do capitalismo e em sua simbiose com a família nuclear, cabe à mulher-mãe-esposa a produção e cultivo da mercadoria mais importante: as pessoas, que vendem à burguesia a força de trabalho para extração de mais-valia nos locais de trabalho. Se o capitalismo permitir qualquer desobjetificação, valorização das mulheres, o resultado será oneroso aos cofres capitalistas. Quem aceitaria permanecer em casa nas funções de parir e cuidar das pessoas a serem exploradas? Onde serão feitas as refeições, quem cuidará dos bebês e dos idosos, se não for a dona de casa ou as trabalhadoras mal remuneradas? Desta forma, é importante entender que algumas mulheres podem sim contribuir no próprio processo de sua desumanização. Cada vez mais a indústria pressiona que “divas pop” construam uma visão de sexualidade feminina baseada na submissão. É comum notar um padrão de autoafirmação enquanto objeto de desejo masculino e não como pessoas que também desejam, que podem escolher ao invés de serem escolhidas. Conforme Gail Dines aponta, nossa sexualidade é interferida hoje pelos valores da indústria pornográfica.  Para entender melhor sobre a profundidade na qual está inserida a sexualização feminina na cultura, retomo o conceito de reificação, proposto por Lukács: A reificação, no pensamento

Zé Carioca II terá encontro de gerações do rock pesado no dia 5

O bar Zé Carioca II, também conhecido como Zé Carioca Dome of Grind, receberá o festival “Inferno Underground”, que conta com quatro bandas de música extrema da capital sul-mato-grossense. Os veteranos do noisecore Satan Vive se juntam ao death metal do Enterrado, ao Depressive Suicidal Black Metal do Angústia e ao crossover/hardcore do Darhew. A entrada custa 10 reais e pode ser adquirida pelo Pix (chave: [email protected]). É necessário enviar o comprovante pelo próprio e-mail da chave ou por mensagem direta na página de alguma das bandas no Instagram. O estabelecimento se localiza na Rua 14 de Julho, n. 3234, próximo à Feira Central.