Foram contratadas empresas para atar em áreas consideradas críticas
Da redação
A Prefeitura de Dourados oficializou, na última sexta-feira, dia 17, a contratação emergencial de empresas para reforçar os serviços de limpeza urbana nas aldeias indígenas do município. A medida ocorre após cobranças públicas do vereador Franklin, que vinha alertando sobre a grave situação de acúmulo de lixo e o avanço de doenças como dengue e chikungunya na região.
A contratação foi realizada por meio de dispensa de licitação, nº 013/2026, com base na Lei Federal nº 14.133/2021, e prevê a atuação de empresas especializadas em áreas consideradas críticas, especialmente na Reserva Indígena de Dourados, onde já foram identificados milhares de focos do mosquito transmissor e há registro de mortes.
Ao todo, foram contratadas duas empresas para a execução dos serviços: a Financial Construtora Industrial Ltda, com valor de R$ 188.640,00; e a Litucera Limpeza e Engenharia Ltda, com valor de R$ 737.706,33.
O investimento total ultrapassa R$ 926 mil e será destinado a ações emergenciais de coleta de lixo e limpeza urbana, com foco no combate às arboviroses, como a chikungunya.
Mutirão após pressão e agravamento do cenário
Na segunda-feira, dia 20, mesmo durante o ponto facultativo do feriado de Tiradentes, a Prefeitura iniciou um mutirão de limpeza na Reserva Indígena, com atuação concentrada inicialmente na Aldeia Bororó. A força-tarefa reúne equipes da Defesa Civil, estadual e municipal, Semsur, Secretaria Municipal de Saúde, CCZ, Dsei e Sesai, com apoio logístico das empresas contratadas para acelerar a retirada de resíduos sólidos.
As ações ocorrem em meio a um cenário crítico. Dourados já soma mais de 5 mil casos prováveis de chikungunya, com mais de 2 mil confirmações e ao menos oito mortes registradas. Diante da situação, o município teve o estado de emergência reconhecido pelo Governo Federal, com liberação de aproximadamente R$ 974 mil para ações de enfrentamento à epidemia.
Pelo período inicial de 15 dias, as equipes atuam com reforço de caminhões e maquinário pesado para retirada de entulhos nas aldeias Bororó e Jaguapiru, além de frentes simultâneas em bairros da área urbana, como o Jardim Colibri. Dados da própria administração indicam que, desde o início de março, mais de 1.100 toneladas de resíduos já foram recolhidas no município.
Nos últimos dias, Franklin vinha denunciando a situação enfrentada pelas comunidades indígenas, destacando o acúmulo de resíduos em locais sensíveis, como escolas, e cobrando um mutirão emergencial por parte do poder público. Um dos pontos levantados foi a presença de tonéis de lixo acumulado na Escola Municipal Indígena Tengatui Marangatu, onde funciona um espaço de atendimento à população no enfrentamento à doença.
Após as cobranças, os tonéis que estavam posicionados próximos à quadra de esportes, área onde foi montado um ambulatório, foram retirados. Segundo o vereador, os recipientes permaneciam no local há anos, sem que a unidade escolar tivesse condições de resolver a situação.
“Montaram o ambulatório de atendimento na quadra e tinha quatro tonéis da minha altura cheios de lixo ao redor de onde as pessoas estavam sendo atendidas”, afirmou. “Não dá pra tratar isso só com orientação. A coleta de lixo é responsabilidade da Prefeitura e precisa acontecer com urgência”, afirmou o vereador em publicação recente.
Crise expõe falhas estruturais
A situação nas aldeias de Dourados evidencia a necessidade de atuação contínua entre população e poder público. Enquanto os moradores são orientados a eliminar possíveis criadouros, cabe ao município garantir condições adequadas de limpeza e coleta regular de resíduos, o que, segundo relatos, não vinha ocorrendo de forma satisfatória.
A resposta emergencial, iniciada apenas após cobranças públicas e com o cenário já agravado, reforça a dimensão do problema enfrentado pelas comunidades indígenas. O vereador Franklin afirma que seguirá acompanhando de perto a execução dos serviços e cobrando continuidade nas ações. “Estamos falando de uma crise de saúde pública. Não basta uma resposta pontual, é preciso garantir regularidade, eficiência e respeito com quem vive nas aldeias”, destacou.