Justiça condena autor de ameaças LGBTfóbicas contra Franklin após 3 anos

Acredita-se que a postagem foi compartilhada em grupos específicos com a intenção de direcionar discurso de ódio Da redação O vereador de Dourados, Franklin Schmalz (PT), anunciou na última segunda-feira (13), durante sessão da Câmara Municipal, que recebeu intimação com a decisão pela condenação de um indivíduo que o ofendeu com comentários em rede social durante as eleições de 2022. No contexto da disputa política daquele ano, em que Franklin foi candidato a deputado federal, uma publicação em seu perfil no Instagram recebeu uma enxurrada de comentários e críticas. No post, o então candidato pelo PSOL criticava o modelo de exploração do agronegócio latifundiário e defendia maior presença de pessoas LGBTs na política. Devido ao alto número de compartilhamentos e comentários (quase mil), acredita-se que a postagem foi compartilhada em grupos específicos com a intenção de direcionar discurso de ódio. O contexto de acirramento da disputa nacional alimentou ainda mais as manifestações, pois muitas vieram de apoiadores do então candidato à Presidência, Jair Bolsonaro. Para Franklin, como afirmou à época, o problema não foram as críticas ao seu posicionamento político, mas os ataques ofensivos e preconceituosos que passou a receber em razão de sua orientação sexual. Ele registrou boletim de ocorrência na Polícia Civil e apresentou denúncia ao Ministério Público Estadual por injúria, incitação à violência, ameaça e LGBTfobia (crime de ódio). Naquela eleição, Franklin era o único candidato à Câmara dos Deputados de Mato Grosso do Sul assumidamente homossexual. Após os procedimentos de investigação conduzidos pelos órgãos competentes, apenas um dos autores dos comentários foi identificado. O Ministério Público, então, apresentou denúncia. Em março de 2026, já atuando como vereador, Franklin foi intimado a comparecer à audiência e, ontem (13 de abril), recebeu nova intimação durante a sessão da Câmara, quando tomou conhecimento do desfecho. Franklin foi o segundo mais votado na eleição de 2024 e o primeiro homossexual assumido a ocupar uma cadeira na Câmara Municipal de Dourados. Ele repercutiu o caso na tribuna: “Eu não comemoro essa condenação, porque acredito que precisamos avançar muito em educação e conscientização. Mas a Justiça foi feita”. O parlamentar destacou que sua atuação política está diretamente ligada à representatividade de grupos historicamente marginalizados e reforçou que ataques motivados por preconceito não podem ser normalizados. “Eu quero que as pessoas me julguem pelo meu trabalho, pela minha ética e pelo meu compromisso público, não pela minha orientação sexual”, disse. Franklin também ressaltou que sua trajetória é fruto da luta coletiva da população LGBTQIA+. “Se estou aqui hoje, é pela luta das pessoas que vieram antes de mim e muitas pessoas LGBTs já morreram por causa desse preconceito”, completou. O caso chama atenção para a importância de denunciar crimes de ódio, inclusive no ambiente digital. Especialistas reforçam que o anonimato na internet não impede a identificação e responsabilização de autores de violência. Como denunciar Vítimas ou testemunhas de LGBTfobia podem recorrer aos seguintes canais: Disque 100 (Direitos Humanos – atendimento 24h e gratuito) Polícia Militar (190), em situações de emergência Delegacia Civil ou Delegacia Virtual O registro de ocorrência é fundamental para que os órgãos competentes possam investigar e punir os responsáveis. Instagram Twitter Youtube Tiktok
Chikungunya: Franklin destaca liberação de recurso para Dourados e outras ações do governo federal

Segundo dados do Boletim Epidemiológico de 25 de março, já são mais de 1.100 notificações de chikungunya na região Da redação O vereador Franklin Schmalz destacou, nesta sexta-feira (27), o conjunto de ações do governo federal para enfrentar o avanço da chikungunya em Dourados, com reforço de equipes, envio de insumos e liberação de recursos emergenciais para o município. Liberação de recursosEm portaria publicada pelo Ministério da Saúde (GM/MS nº 10.452/2026), fica garantido o repasse de R$ 855.299,36 para Dourados, destinado ao custeio de ações emergenciais em saúde pública no âmbito do SUS. O recurso será utilizado para fortalecer a vigilância em saúde, ampliar o atendimento e apoiar medidas de prevenção e controle da doença. “Esse investimento é essencial para apoiar a rede de saúde, garantir insumos e melhorar as condições de atendimento. É um apoio importante, mas também reforça a necessidade de organização local para que esses recursos cheguem na ponta”, pontuou o vereador. O valor será transferido aos cofres do município, cabendo à Secretaria Municipal de Saúde executar as ações. Nesse sentido, o parlamentar defende a criação urgente de um Comitê de Operações Emergenciais para articular e coordenar as atividades. Outras medidasEntre as demais ações do governo federal estão a autorização para contratação emergencial de 20 Agentes de Combate a Endemias para atuação nos territórios indígenas, o envio de insumos como larvicidas e a mobilização da Força Nacional do SUS, presente no município desde o dia 18 de março, com equipes atuando diretamente no atendimento à população. Hospital Universitário da UFGDO vereador também destaca o papel essencial das equipes do Hospital Universitário da UFGD, mantido pelo Governo Federal por meio da rede Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares, na garantia do atendimento ambulatorial e no transporte de pacientes. “O HU tem tem oferecido suporte de pessoal, com três programas de residência atuando diretamente no atendimento à população indígena, no posto instalado na quadra da Escola Municipal Tengatuí. Mais uma vez, o hospital se consolida como uma grande referência na assistência à saúde indígena”, afirmou. Atuação da bancadaA bancada do PT tem atuado nos últimos dias. Foram realizadas reuniões em Dourados entre os vereadores Franklin Schmalz, Elias Ishy e a deputada estadual Gleice Jane, com a gestão do HU, lideranças locais e representantes da Força Nacional do SUS. Em Brasília, os deputados federais Vander Loubet e Camila Jara têm atuado em articulações para garantir o apoio necessário neste momento. Números da criseSegundo dados do Boletim Epidemiológico de 25 de março, já são mais de 1.100 notificações de chikungunya na região, com casos concentrados principalmente nas aldeias Jaguapiru e Bororó, além de outras localidades atendidas pela rede de saúde. Já foram registrados cinco óbitos pela doença em Dourados. Outro dado alarmante é que 11 municípios de Mato Grosso do Sul já apresentam mais de 300 casos suspeitos de chikungunya por 100 mil habitantes, o que indica cenário de epidemia. Franklin reforçou que seguirá acompanhando a situação e cobrando medidas efetivas. “É fundamental garantir uma resposta rápida, coordenação entre os entes e prioridade no atendimento à população, especialmente diante de um cenário que exige urgência e responsabilidade”, concluiu. Instagram Twitter Youtube Tiktok
Badaró convida: Franklin Schmalz

Vereador eleito pelo PT de Dourados estreia novo projeto de entrevistas em audiovisual Entrevista: Norberto LiberatorImagens e edição de vídeo: Maurício Costa Jr. Em novo formato de entrevistas em vídeo, a Revista Badaró recebe o vereador recém-eleito por Dourados e primeiro parlamentar declaradamente LGBT+ do município, Franklin Schmalz. O petista falou sobre sua eleição, trajetória política, perspectivas para o mandato e para a esquerda no Brasil. A entrevista pode ser assistida pelo vídeo, que está em nosso canal com legendas disponíveis, ou lida na íntegra logo abaixo do material. Norberto: Você é o primeiro vereador eleito em Dourados que se declara LGBT. Em Campo Grande nós tivemos também a eleição do Jean Ferreira, pelo mesmo partido, levantando essa bandeira. Você considera que a eleição de dois vereadores homossexuais, com um eleitorado muito forte entre a juventude e os dois principais municípios do estado,revele uma mudança geracional no estado conservador, como Mato Grosso do Sul? Franklin: Eu acredito que sim, mas eu acredito que para a gente ter chegado nesse espaço, a gente teve um acúmulo de lutas, posso falar pela experiência talvez do Jean também, mas mais da minha, de uma construção mais ampla para além tanto da comunidade LGBT quanto da pauta. Porque eu acho que não seria suficiente, eleitoralmente falando, chegar nesse espaço, chegar nesse lugar, pelo menos em Dourados, sem ter uma plataforma de campanha mais ampla e uma atuação política mais ampla também. Porque não é só ser LGBT, é ser um LGBT que se considera socialista, ser um LGBT no Partido dos Trabalhadores, E aí, eu acho que Dourados é uma cidade muito mais provinciana ainda do que Campo Grande. A gente tem algumas características ainda mais de interior, então eu acho que o eleitorado é mais disputado nesse sentido. Então, eu não sei se é uma mudança geracional ou se é um conjunto de fatores. E aí, nesse caso, também um acúmulo de capital político. Eu costumo atribuir a última década. Porque eu acho que eu sou um quadro construído nesses últimos dez anos. Desde o movimento estudantil, a gente tem… Começou em 2013. O que o país passou nos últimos dez anos, assim, muitas coisas, muitos processos, jornadas de junho, o impeachment, o golpe contra a Dilma, governo Temer, governo Bolsonaro, a gente consegue depois derrotar o Bolsonaro nas urnas, enfim, todos esses processos serviram para me forjar também. E eu acho que eu acabo tendo esse resultado agora em Dourados como também uma consequência desse processo de luta. Então, eu não acho que é só geracional. Eu acho que talvez se fosse só juventude na política, se fosse só essa bandeira, se fosse só um cara LGBT que defende essa pauta, a gente não teria chegado lá. Ainda mais com o resultado expressivo, né? A segunda candidatura mais votada da cidade, enfim. Então, eu atribuo a um conjunto de fatores. E acho que é isso. Norberto: Você mencionou a sua trajetória, esses mais de 10 anos de caminhada, e você iniciou a militância política no PSOL. Quando você estava no PSOL, você foi um dos candidatos mais votados para vereador, mas não assumiu devido ao quociente eleitoral. A sua ida para o PT, por um lado, ela pode ser vista como uma atitude pragmática, por não ter mais chance de ser eleito, mas eu quero saber se você atribuiria, na verdade, a uma questão mais programática, já que o PSOL do Mato Grosso do Sul pouco tem a ver com aqueles quadros nacionais que são referências para a esquerda e tal. Franklin: Perfeito. Eu demorei para tomar essa decisão da migração partidária e eu vivi o PSOL intensamente durante sete anos de filiação e desde a minha entrada no PSOL eu fiz a disputa da estrutura partidária e a disputa do programa também. porque como o PT é um partido de tendências e infelizmente no Mato Grosso do Sul a gente vinha de um monopólio, digamos assim, da estrutura partidária num único grupo político já há mais de 15 anos. E nós demoramos até conseguir romper aquela hegemonia. Mas mesmo rompendo, quer dizer, sendo parte da direção e eu ocupei um cargo, enfim, tínhamos uma maioria, não foi suficiente. para conseguir inverter a lógica, digamos assim, porque a política do PSOL no Mato Grosso do Sul, a experiência que eu tive, era de golpe atrás de golpe, de sufocamento das nossas condições de fazer não só a disputa política eleitoral, mas também de atuar na militância. A minha primeira candidatura em 2020 foi uma candidatura muito rebelde, porque a direção do partido não queria aceitar e eu não recebi um real do fundo eleitoral. O presidente do partido na época entrou na justiça para derrubar a nossa convenção. Então, foi sempre assim. Sempre fazendo uma disputa interna muito acirrada. E eu não sou contra a disputa interna, pelo contrário. Eu tenho plena consciência de que no PT também existe essa disputa. Ela é saudável, mas no PSOL o clientelismo também, a conveniência uma completa falta de critério na hora de aproximar pessoas, de aproximar candidaturas, fazia, parece que com todo o nosso esforço, ele era um esforço no final em vão, ou então desgastava muito. Não fui o primeiro que entrei no PSOL tentando fazer também essa mudança no estado. Várias outras pessoas tinham tentado antes. E eu, num determinado momento, que foi em 2023, Depois de ter passado pelo meu terceiro congresso partidário, eu fiz a avaliação de qual batalha que eu ia travar dali pra frente. Já existia uma relação muito saudável com os companheiros do PT, que foi construída na luta mesmo, na rua, nos protestos, enfim, no movimento sindical. Então, existe um terreno fértil também para essa minha ida ao PT, por respeitar também muitas pessoas, sobretudo de Dourados mesmo. Então, eu acho que é um conjunto de dois fatores, né? As condições do PSOL, não só as eleitorais, mas as condições de construção mesmo, e também de aplicação desse programa que você falou das lideranças nacionais.