Professor foi eleito pela comunidade acadêmica durante última consulta, mas não foi nomeado pelo então presidente Jair Bolsonaro
Da redação
A aprovação, pelo Senado Federal, do projeto que prevê o fim da lista tríplice para escolha de reitores das universidades e institutos federais reacendeu o debate sobre autonomia universitária em instituições de todo o país. Na Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), o tema ganha contornos diretos no atual processo eleitoral.
Candidato à reitoria, o professor Etienne Biasotto voltou a defender a mudança no modelo de nomeação e a necessidade de sanção presidencial da proposta para que a vontade expressa pela comunidade acadêmica seja respeitada.
Atualmente, após a consulta realizada junto a docentes, técnicas e técnicos administrativos e estudantes, os três candidatos mais votados compõem uma lista encaminhada ao presidente da República, responsável pela nomeação. O mecanismo permite a escolha de um nome diferente do mais votado, o que tem sido alvo de críticas por parte de setores da comunidade universitária.
Em março de 2026, o Senado aprovou o projeto que extingue a lista tríplice e fortalece o modelo de respeito ao resultado das consultas internas. A medida ainda depende de sanção presidencial para entrar em vigor. Entidades nacionais, como a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior, também defendem mudanças no sistema como forma de ampliar a autonomia universitária e a legitimidade dos processos de escolha.
Na UFGD, o debate possui impacto direto. Na última consulta realizada na instituição, Etienne Biasotto foi o candidato mais votado pela comunidade acadêmica, mas não foi nomeado para assumir a reitoria.
“Fui escolhido pela comunidade universitária na consulta realizada na UFGD. Infelizmente, a vontade expressa nas urnas não foi considerada no processo de nomeação”, afirma.
Segundo o professor, a experiência reforçou sua defesa de mudanças no sistema e motivou sua nova candidatura.
“É fundamental que a decisão da comunidade universitária seja respeitada. A universidade é um espaço de pluralidade, produção de conhecimento e democracia, e sua gestão precisa refletir esses valores”, argumenta.
Ele avalia que o avanço da proposta no Congresso representa um passo importante para evitar interferências externas na escolha de dirigentes das instituições federais.
“Acreditamos que agora vamos vencer novamente nas urnas e que a vontade da comunidade acadêmica será respeitada. A universidade pública brasileira sempre foi um espaço de compromisso democrático”, conclui.
