Com base nas conquistas da gestão Jones, Etienne e Danielle propõem avançar na UFGD

Etienne apresentou resultados da gestão atual e propostas para ampliar políticas acadêmicas e estruturais Da redação Etienne Biasotto e a candidata a vice pela chapa, Danielle. Foto: Divulgação. A eleição da UFGD chega na sua última semana. A série de debates entre as chapas que disputam a consulta para a Reitoria da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) evidenciou a defesa da continuidade com avanços por parte do candidato Etienne Biasotto (Chapa 1 – Avançar UFGD). Logo na abertura de sua participação, Etienne destacou o legado da atual gestão e apontou o caminho para o futuro. “A UFGD avançou muito nos últimos anos. Temos resultados concretos em todas as áreas, e o nosso compromisso é dar continuidade a esse trabalho, mas indo além, com mais inovação, inclusão e qualidade”, afirmou. A candidata a vice, Danielle, reforçou a mesma linha. “A gestão do professor Jones deixou conquistas importantes para a universidade. O que nós defendemos é preservar esse legado e, ao mesmo tempo, avançar ainda mais, ampliando oportunidades e fortalecendo as políticas que fazem diferença na vida dos estudantes”, destacou. Ao longo dos encontros, Etienne apresentou resultados da gestão atual e propostas para ampliar políticas acadêmicas e estruturais da universidade. Entre os principais indicadores está o crescimento de 70% no número de ingressantes entre 2022 e 2025, passando de 1.433 para 2.436 estudantes, além da criação de 210 novas vagas em cursos como Educação Inclusiva, Educação Quilombola, Pedagogia Intercultural Indígena, Agroecologia e Escrita Criativa. Na área de assistência estudantil, o candidato ressaltou a ampliação significativa do número de estudantes atendidos. “Não basta garantir o acesso, é preciso garantir permanência. E foi isso que avançou na UFGD, com mais bolsas, mais apoio e melhores condições para os estudantes continuarem seus cursos”, afirmou Etienne. Os números apresentados incluem o aumento da Bolsa Permanência, que passou de 154 para 484 beneficiários, o crescimento dos auxílios do PNAES de 653 para 988 estudantes e a ampliação dos auxílios com recursos próprios, de 55 para 330. Também foram destacadas ações como a ampliação do Restaurante Universitário, a retomada do café da manhã subsidiado e a reabertura da cantina, além da manutenção do RU a R$ 1 para estudantes em situação de vulnerabilidade. Na pós-graduação, os avanços incluem o aumento de bolsas, que passaram de 374 para 579, além da abertura de cinco novos doutorados. O crescimento também foi expressivo no número de estudantes internacionais, com aumento de 1.000%, e na expansão de matrículas no mestrado (12%) e doutorado (40%). No campo da pesquisa e inovação, Etienne destacou o aumento de 52% nas bolsas de iniciação científica, de 320 para 487. “Fortalecer a pesquisa é garantir o futuro da universidade. Nós ampliamos investimentos e organizamos a área, e agora queremos dar um salto ainda maior em inovação”, pontuou. Os investimentos também foram enfatizados como base para o desenvolvimento da universidade. Segundo o candidato, a UFGD captou R$ 22 milhões em recursos externos, além de R$ 13 milhões via PAC para a construção de laboratórios de engenharia. Também foram aplicados R$ 1 milhão em equipamentos de ar-condicionado e R$ 1,6 milhão em tecnologia para gestão do patrimônio. Durante os debates, Etienne manteve um discurso centrado na valorização da comunidade universitária e no fortalecimento do diálogo institucional. “Nosso projeto é de continuidade com avanço. É olhar para o que já foi feito com responsabilidade e construir uma UFGD ainda mais forte, democrática e inclusiva”, concluiu. Organizados pela Comissão de Consulta Prévia, os debates garantiram igualdade entre as candidaturas e abordaram temas estratégicos para o futuro da universidade. A iniciativa integrou o calendário oficial da consulta e buscou ampliar o acesso da comunidade acadêmica às propostas, reforçando a participação democrática na escolha da nova gestão. Instagram Twitter Youtube Tiktok
Fim da lista tríplice mobiliza candidatura de Etienne Biasotto na UFGD

Professor foi eleito pela comunidade acadêmica durante última consulta, mas não foi nomeado pelo então presidente Jair Bolsonaro Da redação Professor Etienne Biasotto. Foto: Reprodução/Arquivo pessoal A aprovação, pelo Senado Federal, do projeto que prevê o fim da lista tríplice para escolha de reitores das universidades e institutos federais reacendeu o debate sobre autonomia universitária em instituições de todo o país. Na Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), o tema ganha contornos diretos no atual processo eleitoral. Candidato à reitoria, o professor Etienne Biasotto voltou a defender a mudança no modelo de nomeação e a necessidade de sanção presidencial da proposta para que a vontade expressa pela comunidade acadêmica seja respeitada. Atualmente, após a consulta realizada junto a docentes, técnicas e técnicos administrativos e estudantes, os três candidatos mais votados compõem uma lista encaminhada ao presidente da República, responsável pela nomeação. O mecanismo permite a escolha de um nome diferente do mais votado, o que tem sido alvo de críticas por parte de setores da comunidade universitária. Em março de 2026, o Senado aprovou o projeto que extingue a lista tríplice e fortalece o modelo de respeito ao resultado das consultas internas. A medida ainda depende de sanção presidencial para entrar em vigor. Entidades nacionais, como a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior, também defendem mudanças no sistema como forma de ampliar a autonomia universitária e a legitimidade dos processos de escolha. Na UFGD, o debate possui impacto direto. Na última consulta realizada na instituição, Etienne Biasotto foi o candidato mais votado pela comunidade acadêmica, mas não foi nomeado para assumir a reitoria. “Fui escolhido pela comunidade universitária na consulta realizada na UFGD. Infelizmente, a vontade expressa nas urnas não foi considerada no processo de nomeação”, afirma. Segundo o professor, a experiência reforçou sua defesa de mudanças no sistema e motivou sua nova candidatura. “É fundamental que a decisão da comunidade universitária seja respeitada. A universidade é um espaço de pluralidade, produção de conhecimento e democracia, e sua gestão precisa refletir esses valores”, argumenta. Ele avalia que o avanço da proposta no Congresso representa um passo importante para evitar interferências externas na escolha de dirigentes das instituições federais. “Acreditamos que agora vamos vencer novamente nas urnas e que a vontade da comunidade acadêmica será respeitada. A universidade pública brasileira sempre foi um espaço de compromisso democrático”, conclui. Instagram Twitter Youtube Tiktok
Com Etienne reitor, Danielle propõe UFGD mais comprometida com as mulheres

“Quando a universidade amplia os espaços para as mulheres, toda a comunidade avança junto, inclusive os homens”, afirma a candidata da Chapa 1 Da redação Professora da Universidade Federal da Grande Dourados há 15 anos, engenheira agrônoma, doutora em Ciência dos Alimentos e atual diretora da Faculdade de Ciências Biológicas e Ambientais, Danielle Marques Vilela é candidata a vice-reitora pela Chapa 1, Avança UFGD, ao lado de Etienne Biasotto. Com trajetória no ensino, na pesquisa e na gestão da universidade, ela defende uma UFGD mais democrática, acolhedora e comprometida com políticas de acessibilidade e inclusão, permanência estudantil, enfrentamento às violências e fortalecimento do Hospital Universitário. Nesta entrevista, Danielle fala sobre o protagonismo das mulheres na UFGD, os desafios que ainda persistem e os compromissos da chapa para que a universidade siga avançando, com diálogo e responsabilidade social. A participação das mulheres na universidade tem crescido. Como você avalia esse processo na UFGD? A presença das mulheres sempre foi fundamental na universidade, mas hoje esse protagonismo aparece também com mais força nos espaços de decisão, na pesquisa, ensino, extensão e na gestão. Isso é resultado de muita luta e de mudanças institucionais importantes. Na UFGD, as mulheres ocupam a universidade, ajudam a construir seus caminhos e impulsionam transformações que beneficiam toda a comunidade acadêmica. Esse avanço também se refletiu em políticas institucionais? Sim. A UFGD avançou em políticas de enfrentamento às violências, prevenção ao assédio e acolhimento. O desafio agora é garantir continuidade e estrutura para essas conquistas. Defendemos fortalecer a Pró-Reitoria de Ações Afirmativas, implementar plenamente o Protocolo de Não Revitimização, ampliar a Ouvidoria da Mulher e Diversidade e consolidar mecanismos de monitoramento dessas políticas. Ainda existem desafios para as mulheres no ambiente universitário? Sim. Persistem desigualdades no acesso a espaços de poder, na permanência acadêmica e no enfrentamento das violências e discriminações. Por isso, é essencial garantir condições para que mulheres possam estudar, trabalhar, pesquisar e ocupar espaços de liderança com segurança e dignidade, especialmente mães e cuidadoras. Que políticas podem ajudar a transformar essa realidade? Defendemos ampliar a presença das mulheres nos espaços de decisão, fortalecer políticas de permanência e desenvolver ações institucionais de cuidado relacionadas à maternidade, paternidade e responsabilidades familiares. Também propomos o programa Ler Mulheres na Universidade, incentivando a presença de autoras mulheres nas bibliografias e atividades formativas, além de editais específicos de fomento à pesquisa e extensão coordenadas por mulheres. Como a sua trajetória na UFGD influenciou essa visão? Sou professora da UFGD há 15 anos, mãe de dois filhos e sou filha da universidade pública. Foi por meio dela que minha história e a da minha família foram transformadas. Essa trajetória me mostrou que a universidade pública muda vidas e que os avanços dependem de compromisso institucional, planejamento e trabalho coletivo. Também queremos uma universidade que enfrente a violência com seriedade, escuta qualificada e fluxos institucionais mais humanizados. Quando a instituição assume esse compromisso de forma estruturada, ela deixa de apenas reagir aos problemas e passa a criar um ambiente mais justo, mais seguro e mais coerente com sua função social. Nesta eleição, duas chapas são lideradas por mulheres e você é candidata a vice. Como você vê esse momento? Para mim, esta eleição não é só uma escolha entre homens e mulheres, mas entre projetos de universidade. Estou ao lado do Etienne porque construímos uma chapa comprometida em ampliar os espaços das mulheres na gestão, fortalecer políticas de enfrentamento às violências e avançar em ações concretas de permanência e cuidado. Quando aceitei ser vice do Etienne é por acreditar que ele está disposto a construir um projeto que assume o compromisso de transformar em políticas as demandas das mulheres da universidade, o que também exige homens dispostos a dividir poder e atuar de forma coerente com essa mudança. Qual é o principal compromisso da Chapa 1 para os próximos anos? Nosso compromisso é fortalecer a UFGD como uma universidade pública de qualidade, socialmente comprometida e aberta à diversidade. Isso passa pela valorização do ensino, da pesquisa e da extensão, pela permanência estudantil, pelo acolhimento, pela sustentabilidade, pela defesa das ações afirmativas e por uma gestão democrática e dialogada. Qual é o papel do Hospital Universitário dentro desse projeto? O Hospital Universitário é UFGD. E, como tal, é estratégico para a universidade, mas, principalmente, para toda a região. Ele atende a população, forma profissionais de saúde e produz conhecimento. Defendemos ampliar a integração entre HU e universidade, fortalecer as residências e garantir um ambiente de formação e trabalho mais qualificado e humano. Que mensagem você deixa para a comunidade universitária? A UFGD é uma construção coletiva. Tudo o que a universidade conquistou é resultado do trabalho de muitas pessoas. No dia 26 de março, a comunidade universitária decidirá os próximos rumos da instituição. Nosso convite é para que conheçam as propostas da Chapa 1 e participem dessa escolha com responsabilidade e compromisso com o futuro da universidade. Instagram Twitter Youtube Tiktok
Atraso escolar no Brasil cai de 13,4 para 4,2 milhões de estudantes

A análise divulgada nesta quinta-feira (25) mostra que, apesar da melhora geral, o país ainda tem desafios no enfrentamento do atraso escolar Mariana Tokarnia (Agência Brasil) Presidente Lula e o ministro da Educação, Camilo Santana (Foto: Ricardo Stuckert) Apesar de ainda representarem uma importante parcela dos estudantes, os dados mostram que ao longo dos anos a distorção da relação idade-série vem diminuindo. Em 2023, eram 13,4% em atraso escolar. Em todo o país, 4,2 milhões de estudantes estão dois anos ou mais atrasados na escola. Eles representam 12,5% de todas as matrículas no Brasil. As informações são do Censo Escolar 2024, analisadas pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). A análise divulgada nesta quinta-feira (25) mostra que, apesar da melhora geral, o país ainda tem desafios no enfrentamento do atraso escolar. O Unicef aponta desigualdades principalmente quando se leva em consideração a raça/cor e gênero dos estudantes. A distorção idade-série entre estudantes negros da educação básica é quase o dobro da registrada entre brancos, respectivamente 15,2% e 8,1%. O atraso também atinge mais meninos do que meninas, chega a 14,6% entre eles e a 10,3% entre elas. Para a especialista de educação do Unicef no Brasil, Julia Ribeiro, o atraso escolar não deve ser visto como um fracasso unicamente do estudante, mas deve levar em consideração a conjuntura social e deve ser preocupação de diversos agentes, desde a família, aos governos, terceiro setor e comunidade escolar. “Quando a gente fala em fracasso escolar, muitas vezes a gente responsabiliza o estudante, né? A gente precisa entender isso como uma cultura, como um conjunto de fatores que faz ou que contribui para que esses meninos e meninas comecem a reprovar, que eles entrem em uma situação de atraso escolar ou uma situação de distorção idade-série e fiquem mais propensos a abandonar a escola”, diz. E complementa: “Quando o estudante entra em atraso escolar, ele passa a se sentir não pertencente à escola. Então, sobretudo, o convite que a gente faz é compreender que a situação singular acontece de forma diferente para os estudantes, acontece de forma diferente nos diferentes territórios. Então, compreender os motivos que estão por trás é algo que é fundamental. Para isso, é preciso ouvir os estudantes”. Uma pesquisa realizada pelo Unicef e Inteligência em Pesquisa e Consultoria Estratégica (Ipec), em 2022, mostrou que 33% dos adolescentes acreditam que a escola não sabe nada sobre a sua vida e da sua família. “A escola é o espaço que os estudantes passam mais tempo de sua vida, é um equipamento público que está presente em todos ou em quase todos os territórios. Então, ela é a política pública que está mais presente na vida dessas crianças e de suas famílias. Um terço dos estudantes dizerem que as escolas não sabem nada sobre sua vida e a vida de sua família é algo que é muito forte. Certamente para os estudantes que estão em um processo de desvinculação, se perceber não tão pertencente a esse espaço é algo muito significativo”, ressalta Ribeiro. >> Siga o canal da Agência Brasil no WhatsApp Abandono Como destacado por Ribeiro, uma das consequências mais preocupantes do atraso escolar é o abandono dos estudos. No Brasil, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), embora os indicadores tenham melhorado ao longo dos últimos anos, muitos adultos (25 anos ou mais) ainda não têm ensino médio completo. Em 2024, o país alcançou o maior percentual da série histórica, 56% da população adulta com ensino médio completo. Em 2016, início da série, eram 46,2%. Maior escolaridade possibilita maior participação cidadã na sociedade, além de conferir melhores salários e melhores condições socioeconômicas. De acordo a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), ter um diploma de ensino superior no Brasil pode mais que dobrar o salário. Para contribuir com governos e escolas, em parceria com o Instituto Claro e apoio da Fundação Itaú, o Unicef desenvolve a estratégia Trajetórias de Sucesso Escolar, voltada para a elaboração, implementação e o monitoramento de políticas de enfrentamento da cultura de fracasso escolar nas redes públicas de ensino. “Acreditamos na mudança e na transformação social por meio da educação e para alcançar esse objetivo é fundamental conhecer os desafios para estabelecer estratégias de enfrentamento. Trajetória de Sucesso Escolar do Unicef vem fazendo isso com excelência, oferecendo uma visão ampla do cenário atual e uma nova perspectiva para milhões de estudantes”, diz a diretora de Desenvolvimento Humano Organizacional, Cultura e Sustentabilidade da Claro e vice-presidente do Instituto Claro, Daniely Gomiero. Instagram Twitter Youtube Tiktok
As ciências humanas em questão
Em tempos de relativização do campo científico e das Ciências Humanas, o diálogo direto com a cultura popular e não-acadêmica mostra-se como uma alternativa para combater a onda de populismo filosófico e o anticientificismo crescente na opinião pública