O impacto dos incêndios sobre comunidades tradicionais pantaneiras

Para compreender de perto as demandas das comunidades tradicionais e debater soluções, a deputada Gleice Jane iniciou viagem de barco pelo Pantanal e propôs a realização de audiência pública Instagram Twitter Youtube Tiktok
Badaró convida: Franklin Schmalz

Vereador eleito pelo PT de Dourados estreia novo projeto de entrevistas em audiovisual Entrevista: Norberto LiberatorImagens e edição de vídeo: Maurício Costa Jr. Em novo formato de entrevistas em vídeo, a Revista Badaró recebe o vereador recém-eleito por Dourados e primeiro parlamentar declaradamente LGBT+ do município, Franklin Schmalz. O petista falou sobre sua eleição, trajetória política, perspectivas para o mandato e para a esquerda no Brasil. A entrevista pode ser assistida pelo vídeo, que está em nosso canal com legendas disponíveis, ou lida na íntegra logo abaixo do material. Norberto: Você é o primeiro vereador eleito em Dourados que se declara LGBT. Em Campo Grande nós tivemos também a eleição do Jean Ferreira, pelo mesmo partido, levantando essa bandeira. Você considera que a eleição de dois vereadores homossexuais, com um eleitorado muito forte entre a juventude e os dois principais municípios do estado,revele uma mudança geracional no estado conservador, como Mato Grosso do Sul? Franklin: Eu acredito que sim, mas eu acredito que para a gente ter chegado nesse espaço, a gente teve um acúmulo de lutas, posso falar pela experiência talvez do Jean também, mas mais da minha, de uma construção mais ampla para além tanto da comunidade LGBT quanto da pauta. Porque eu acho que não seria suficiente, eleitoralmente falando, chegar nesse espaço, chegar nesse lugar, pelo menos em Dourados, sem ter uma plataforma de campanha mais ampla e uma atuação política mais ampla também. Porque não é só ser LGBT, é ser um LGBT que se considera socialista, ser um LGBT no Partido dos Trabalhadores, E aí, eu acho que Dourados é uma cidade muito mais provinciana ainda do que Campo Grande. A gente tem algumas características ainda mais de interior, então eu acho que o eleitorado é mais disputado nesse sentido. Então, eu não sei se é uma mudança geracional ou se é um conjunto de fatores. E aí, nesse caso, também um acúmulo de capital político. Eu costumo atribuir a última década. Porque eu acho que eu sou um quadro construído nesses últimos dez anos. Desde o movimento estudantil, a gente tem… Começou em 2013. O que o país passou nos últimos dez anos, assim, muitas coisas, muitos processos, jornadas de junho, o impeachment, o golpe contra a Dilma, governo Temer, governo Bolsonaro, a gente consegue depois derrotar o Bolsonaro nas urnas, enfim, todos esses processos serviram para me forjar também. E eu acho que eu acabo tendo esse resultado agora em Dourados como também uma consequência desse processo de luta. Então, eu não acho que é só geracional. Eu acho que talvez se fosse só juventude na política, se fosse só essa bandeira, se fosse só um cara LGBT que defende essa pauta, a gente não teria chegado lá. Ainda mais com o resultado expressivo, né? A segunda candidatura mais votada da cidade, enfim. Então, eu atribuo a um conjunto de fatores. E acho que é isso. Norberto: Você mencionou a sua trajetória, esses mais de 10 anos de caminhada, e você iniciou a militância política no PSOL. Quando você estava no PSOL, você foi um dos candidatos mais votados para vereador, mas não assumiu devido ao quociente eleitoral. A sua ida para o PT, por um lado, ela pode ser vista como uma atitude pragmática, por não ter mais chance de ser eleito, mas eu quero saber se você atribuiria, na verdade, a uma questão mais programática, já que o PSOL do Mato Grosso do Sul pouco tem a ver com aqueles quadros nacionais que são referências para a esquerda e tal. Franklin: Perfeito. Eu demorei para tomar essa decisão da migração partidária e eu vivi o PSOL intensamente durante sete anos de filiação e desde a minha entrada no PSOL eu fiz a disputa da estrutura partidária e a disputa do programa também. porque como o PT é um partido de tendências e infelizmente no Mato Grosso do Sul a gente vinha de um monopólio, digamos assim, da estrutura partidária num único grupo político já há mais de 15 anos. E nós demoramos até conseguir romper aquela hegemonia. Mas mesmo rompendo, quer dizer, sendo parte da direção e eu ocupei um cargo, enfim, tínhamos uma maioria, não foi suficiente. para conseguir inverter a lógica, digamos assim, porque a política do PSOL no Mato Grosso do Sul, a experiência que eu tive, era de golpe atrás de golpe, de sufocamento das nossas condições de fazer não só a disputa política eleitoral, mas também de atuar na militância. A minha primeira candidatura em 2020 foi uma candidatura muito rebelde, porque a direção do partido não queria aceitar e eu não recebi um real do fundo eleitoral. O presidente do partido na época entrou na justiça para derrubar a nossa convenção. Então, foi sempre assim. Sempre fazendo uma disputa interna muito acirrada. E eu não sou contra a disputa interna, pelo contrário. Eu tenho plena consciência de que no PT também existe essa disputa. Ela é saudável, mas no PSOL o clientelismo também, a conveniência uma completa falta de critério na hora de aproximar pessoas, de aproximar candidaturas, fazia, parece que com todo o nosso esforço, ele era um esforço no final em vão, ou então desgastava muito. Não fui o primeiro que entrei no PSOL tentando fazer também essa mudança no estado. Várias outras pessoas tinham tentado antes. E eu, num determinado momento, que foi em 2023, Depois de ter passado pelo meu terceiro congresso partidário, eu fiz a avaliação de qual batalha que eu ia travar dali pra frente. Já existia uma relação muito saudável com os companheiros do PT, que foi construída na luta mesmo, na rua, nos protestos, enfim, no movimento sindical. Então, existe um terreno fértil também para essa minha ida ao PT, por respeitar também muitas pessoas, sobretudo de Dourados mesmo. Então, eu acho que é um conjunto de dois fatores, né? As condições do PSOL, não só as eleitorais, mas as condições de construção mesmo, e também de aplicação desse programa que você falou das lideranças nacionais.
É crime pedir voto em templos, como fez prefeita em igreja denunciada

Evento de Adriane Lopes com “celebridades” da extrema direita fere legislação eleitoral e foi realizado em igreja envolvida em escândalos Por Norberto LiberatorArte: Vitória Regina A legislação proíbe a realização de propaganda eleitoral em bens de uso comum, como é o caso de templos religiosos. A regra está no artigo 37 da Lei das Eleições (n° 9.504/1997). A proibição se estende à campanha eleitoral em clubes, cinemas, lojas, escolas, centros comerciais e estádios, mesmo que sejam de propriedade privada. Neste sentido, a prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), cometeu crime eleitoral ao realizar o evento “Mulheres que Transformam”, com a presença de expoentes da extrema direita como Michelle Bolsonaro, Damares Alves, Celina Leão e Tereza Cristina. O evento ocorreu na igreja Aliançados Arena, localizada no centro de Campo Grande. Não é a primeira vez que a Aliançados se vê diante de uma inconformidade com a lei. A igreja onde Adriane cometeu crime eleitoral enfrenta acusações de assédio moral, abuso financeiro, corrupção, golpes milionários em compra de terrenos e outros crimes. O líder da igreja, autodenominado Apóstolo Denilson Fonseca, enfrenta (entre outros) um processo por parte do ex-pastor Paulo Cesar Lemos, que o acusa de enriquecer ilicitamente, quebrar contratos, não cumprir com direitos trabalhistas e praticar humilhação e constrangimento contra pastores e funcionários. Já Adriane Lopes é investigada por improbidade administrativa pela chamada “folha secreta”, o pagamento de salários exorbitantes a servidores comissionados da Prefeitura. São verbas sem previsão legal e não declaradas no Diário Oficial ou Portal da Transparência. De acordo com a vereadora Luiza Ribeiro (PT), que pediu investigação ao MP, a “farra” da prefeita pode ter custado meio bilhão de reais aos cofres públicos. Instagram Twitter Youtube Tiktok
UFMS: Laboratório do olavismo nunca mais (?)

Editorial | Universidade decide em maio se mantém grupo que aderiu a projetos bolsonaristas na educação Ao contrário dos delírios da extrema-direita, as universidades públicas do Brasil estão longe de ser espaços dominados por ideologias de esquerda. Quando se trata de um estado com grande influência bolsonarista, como Mato Grosso do Sul, isso fica ainda mais evidente. Neoliberalismo, conservadorismo e arbitrariedade compõem o cenário da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul). A UFMS foi, por exemplo, a única que se propôs a aderir ao Future-se, projeto do então ministro da Educação de Jair Bolsonaro, o infame Abraham Weintraub. A proposta, que não foi implementada, consistia em manter a educação superior pública a partir de investimentos privados. O Future-se, apelidado de “Fatura-se”, foi anunciado logo após um corte sem precedentes nos recursos das universidades. Era evidente que, se implementado, o Future-se representaria uma ameaça a milhares de cursos e projetos de pesquisa em todo o Brasil, já que apenas o que fosse considerado lucrativo seria apoiado por empresas privadas. A lógica do lucro não opera no mesmo tempo que a pesquisa acadêmica exige, nem nos mesmos objetivos que a ciência enquanto bem público deve buscar. Assim, no final do ano de 2019 estudantes realizaram a ocupação do Bloco VI, onde operavam, à época, cursos como Ciências Sociais, Psicologia, Jornalismo, Filosofia e História. A reação da reitoria da UFMS, durante a primeira gestão do atual reitor Marcelo Turine, foi acionar a Polícia Federal contra alunos que se encontravam no local. 61 pessoas foram intimadas. Além disso, houve um corte na energia elétrica do bloco, que dificultou as condições diante da falta de luz, internet, água gelada e ventilador, lembrando que Campo Grande frequentemente chega a sensações térmicas superiores a 40ºC. Uma roda de capoeira chegou a ser realizada à luz de velas. Os acadêmicos só conseguiram mantimentos básicos graças a doações solidárias de professores. Em 2020, a Reitoria convidou o criacionista Marcos Eberlin para palestrar na abertura do evento “Integra UFMS” – e o pior: ele aceitou. Eberlin utilizou do espaço para atacar a teoria da evolução e evocar senso-comum de cunho religioso, o que gerou protestos de pesquisadores. Já em 2021, a gestão Turine disponibilizou a UFMS para servir como cobaia da implementação do programa “Famílias Fortes”, da então ministra da Família e Direitos Humanos, a fundamentalista evangélica Damares Alves. O projeto, que se apresenta com o objetivo de “fortalecer famílias”, tem como metas “evitar comportamentos de risco” e “a iniciação sexual precoce”, embora não especifique os termos. A Universidade passou a servir como local dos “cursos para famílias”. Anterior Próximo No lançamento do programa, ocorrido na UFMS, o discurso foi de “resgate dos valores tradicionais”. O deputado federal bolsonarista Luiz Ovando (PP-MS) afirmou que o “único modelo digno de família” é o “instituído na Bíblia, em Gênesis”. O “Famílias Fortes” considera, portanto, um único modelo de família como válido e é a ele que busca fortalecer. Caso fosse política interna de uma igreja, haveria liberdade para tal. No entanto, ele se deu como política governamental e utilizou-se dos espaços de uma universidade pública, portanto laica pela Constituição. Também houve, no mesmo ano, o desembolso de 51,2 mil reais para contratação, sem licitação, do coach Karim Khoury para palestra sobre suicídio. Khoury não possui sequer formação nas áreas de psicologia ou psiquiatria e utiliza uma abordagem ultrapassada, como dizer às pessoas para “lutar contra as vozes de suas cabeças”. No mesmo ano de 2021, ainda sob a pandemia da Covid-19, a reitoria planejou o retorno às aulas em regime híbrido, o que gerou reações entre servidores e estudantes. Em 2022, com a volta às aulas presenciais, a UFMS recusou o “passaporte da vacina”, ou seja, condicionar a possibilidade de retorno à comprovação de vacinação. O projeto neoliberal e de contornos reacionários representado pela atual gestão da UFMS é representado, nas eleições para a reitoria que ocorrem em maio, pela atual vice-reitora Camila Ítavo, que concorre à vaga de reitora tendo Albert Schiaveto como vice. Ela ainda conta com uma linha auxiliar, o professor Ruy Corrêa Filho, cuja vice é Luciana Contrera. Contra a política vigente, o professor Marco Aurélio Stefanes, ex-presidente da Seção Sindical dos Docentes da UFMS (Adufms), também apresentou sua candidatura, tendo como vice a professora Ana Denise Maldonado. Mais do que o lançamento de um nome, a chapa de oposição representa um grupo político, que esteve à frente de movimentos como Vacina Já, da defesa do protocolo vacinal e da mobilização pela revogação da nova Base Nacional Comum Curricular – que, entre outras medidas, unificou a formação de professores de licenciatura na mesma matriz curricular, que não leva em conta as especificidades de cada instituição e localidade. Diante da realidade que se apresenta, a Badaró enxerga a necessidade de posicionamento, enquanto veículo fundado por estudantes da UFMS em 2019, no contexto da mobilização contra o Future-se e os cortes na educação. Sendo assim, a Badaró declara seu apoio à chapa “UFMS em Movimento”, formada pelos professores Marco Aurélio Stefanes e Ana Denise Maldonado, e convida a comunidade acadêmica a exercer seu direito de voto no dia 10 de maio. Instagram Twitter Youtube Tiktok
As chamas do racismo religioso contra os guarani-kaiowá e guató

Incêndios criminosos já se tornaram rotina entre comunidades indígenas de MS Por Maju Monteiro (arte) e Norberto Liberator (roteiro)Fonte utilizada para legendas: Toth 1, de Octavio Cariello Maria Júlia Montero Quadrinista, ilustradora e comunicadora popular. Interessada em artes, feminismo e internacionalismo. Norberto Liberator Jornalista, ilustrador e quadrinista. Interessado em política, meio ambiente, artes e esportes. Instagram Twitter Youtube Tiktok