Nos braços do povo, Lula chega a Campo Grande para COP15

Presidente confraternizou com militância, encontrou lideranças políticas e reforçou chapa com Fábio Trad e Gilda Maria para governo de MS Por Norberto Liberator O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chegou a Campo Grande neste domingo, 22 de março, para participar da COP15, a conferência da ONU que trata da preservação de animais silvestres. O evento se inicia nesta segunda-feira, 23, e vai até o dia 29 do mesmo mês. Ao descer do aeroporto, Lula saiu do carro presidencial e se encontrou com a militância que o esperava para dar boas-vindas. “O presidente Lula é nosso, é trabalhador como a gente”, declarou o bancário e líder sindical Orlando de Almeida, o Orlandinho, que esteve presente na recepção. Mais tarde, Lula se encontrou com lideranças políticas locais, no Centro de Convenções Arquiteto Rubens Gil de Camilo. Junto à primeira-dama Janja Lula da Silva, o presidente esteve com o pré-candidato ao governo de Mato Grosso do Sul pelo PT e ex-deputado federal Fábio Trad; a senadora Soraya Thronicke (Podemos); a pré-candidata a vice-governadora e ex-coordenadora-especial de Políticas Públicas para a Mulher em MS, Gilda Maria dos Santos; o deputado estadual e ex-governador Zeca do PT; os deputados estaduais Pedro Kemp e Gleice Jane; o superintendente do Patrimônio da União, Tiago Botelho; os deputados federais Vander Loubet e Camila Jara, todos do PT. Lula também encontrou o superintendente estadual da Pesca, Marcelo Heitor Miranda dos Santos; e os vereadores petistas Landmark Rios, Jean Ferreira e Luiza Ribeiro, de Campo Grande.   Janja Lula da Silva, Flávia Trad, Zeca do PT, Camila Jara, Fábio Trad, Luiz Inácio Lula da Silva, Tiago Botelho, Gilda Maria dos Santos, Soraya Thronicke, Pedro Kemp, Gleice Jane e Vander Loubet durante visita do presidente. Foto: Ricardo Stuckert À imprensa, Fábio Trad confirmou o apoio de Lula à chapa para o governo de MS, formada pelo ex-deputado e pela ex-coordenadora de Políticas Públicas para Mulheres e ex-primeira-dama do estado, Gilda Maria dos Santos. “[O presidente Lula] Ficou muito satisfeito quando soube que Dona Gilda estará como vice pela amizade e afeto que os une há mais de 40 anos. Mostrou imenso otimismo com as perspectivas eleitorais em Mato Grosso do Sul. E ao final afirmou: vamos vencer as eleições”, afirmou Trad.  No Segmento de Alto Nível do evento, que antecede a abertura, Lula esteve ainda com o presidente do Paraguai, Santiago Peña; o chanceler boliviano, Fernando Aramayo; a ministra do Planejamento, Simone Tebet (PSB); o governador Eduardo Riedel (PP); o secretário-executivo do Ministério dos Povos Indígenas, Luiz Henrique Eloy, entre outras autoridades. A COP15 contará com a ministra do Meio Ambiente Marina Silva, além de presenças internacionais, como Santiago Peña, Fernando Aramayo e delegações de países como Uruguai, Canadá, Portugal e Itália, além de membros da ONU. O objetivo é estabelecer metas para a preservação da fauna migratória e seus habitats. — Assine a Badaró e receba nossos materiais impressos! Instagram Twitter Youtube Tiktok

Lula vem a Campo Grande abrir a COP15. Mas o que é COP15?

Evento trata de preservação de espécies migratórias Da redação Lula junto ao superintendente do Patrimônio da União em MS, Tiago Botelho. Foto: Divulgação O presidente Lula e cinco ministros chegam nesta tarde a Campo Grande para participar da 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres, a chamada COP15. A conferência reunirá representantes de mais de uma centena de países, além de cientistas, gestores públicos e organizações da sociedade civil, para discutir caminhos concretos de preservação da biodiversidade global, com foco nas espécies migratórias e nos ecossistemas que sustentam suas rotas. A sigla COP significa Conferência das Partes, a instância máxima de decisão de acordos internacionais. Na COP15 da Convenção sobre Espécies Migratórias, os países se reúnem para avaliar o estado de conservação dessas espécies, definir prioridades e pactuar ações conjuntas para protegê-las. Na prática, é um espaço onde se constroem políticas globais para enfrentar problemas como a destruição de habitats, a exploração predatória e os impactos das mudanças climáticas sobre a fauna. A COP15 trata das espécies migratórias, animais que se deslocam periodicamente entre diferentes regiões do planeta em busca de alimento, reprodução ou condições ambientais adequadas. Esses deslocamentos podem atravessar continentes e oceanos, como ocorre com aves, peixes, mamíferos e até insetos. Para a convenção, uma espécie migratória é aquela que cruza fronteiras entre países ao longo do seu ciclo de vida, o que torna sua proteção um desafio coletivo. Esses animais desempenham funções essenciais para o equilíbrio ecológico. Contribuem para a polinização, dispersão de sementes e transporte de nutrientes entre ambientes. Além disso, são importantes indicadores da saúde ambiental: alterações em suas rotas ou populações costumam sinalizar desequilíbrios nos ecossistemas. Atualmente, muitas dessas espécies enfrentam ameaças como a perda de habitat, a fragmentação de áreas naturais e a exploração excessiva. Esse cenário reforça a urgência de ações coordenadas entre os países. A escolha de MS como sede não é apenas logística, mas também política e simbólica. O Brasil abriga alguns dos biomas mais ricos do planeta, e o Pantanal é uma das regiões mais estratégicas para a biodiversidade mundial. Ao trazer a COP15 para o estado, o presidente Lula reforça a importância de colocar o interior do país no centro das decisões globais e valorizar territórios fundamentais para o equilíbrio ambiental. Assim como levou a COP30 para Belém, agora o país volta os olhos para Campo Grande. A decisão de realizar a conferência no coração do Pantanal sul-mato-grossense é altamente simbólica. Ela reconhece a potência ambiental da região e mostra que o futuro da agenda climática e da biodiversidade passa, necessariamente, por territórios que historicamente ficaram à margem dos grandes centros de decisão. Além de sediar o encontro, o Brasil assume papel de liderança nas negociações internacionais sobre biodiversidade. A realização da COP15 coloca o país, e especialmente Mato Grosso do Sul, no centro das atenções globais. Durante a semana, o debate internacional deve apontar caminhos para conciliar desenvolvimento e preservação, com foco na proteção das espécies migratórias e na manutenção de seus habitats e rotas. Mais do que um encontro técnico, a COP15 representa uma oportunidade de construir soluções para um dos maiores desafios do nosso tempo: garantir a sobrevivência das espécies e o equilíbrio dos ecossistemas. Ao sediar o evento em Campo Grande, o Brasil envia ao mundo uma mensagem clara: proteger a biodiversidade também significa reconhecer a força do interior e o papel estratégico de biomas como o Pantanal no futuro do planeta. Enquanto sul-mato-grossense, nascido em Ivinhema, agradeço ao presidente Lula por colocar o Estado em protagonismo. Se queremos proteger o meio ambiente, precisamos ouvir e valorizar os territórios onde a natureza ainda pulsa com força. Como ensinou Manoel de Barros é no “chão das coisas pequenas” que mora a grandeza do mundo e é desse chão, do interior profundo, do Pantanal que podem surgir as respostas para os desafios ambientais do nosso tempo. Instagram Twitter Youtube Tiktok

Dólar cai para R$ 5,31 após conversa entre Lula e Trump

Bolsa recua 0,41% em dia de realização de lucros Wellington Máximo (Agência Brasil) Foto: Reprodução Em meio ao maior apetite por moedas de países emergentes, o dólar encerrou em queda após a chamada telefônica entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump.  A bolsa de valores caiu em dia de realização de lucros, com investidores vendendo papéis para embolsarem ganhos recentes. O dólar comercial encerrou esta segunda-feira (6) vendido a R$ 5,311, com recuo de R$ 0,025 (-0,47%). A cotação iniciou o dia em R$ 5,35, mas recuou ainda na primeira hora de negociações. Na mínima do dia, por volta das 16h20, chegou a R$ 5,30. Com o resultado desta segunda, a moeda estadunidense acumula queda de 14,08% em 2025. O euro comercial fechou o dia vendido a R$ 6,21, com queda de 0,75%, no menor valor desde 3 de abril, dia em que Trump começou a anunciar as retaliações comerciais contra países com superávit comercial dos Estados Unidos. Bolsa A euforia no câmbio não se repetiu no mercado de ações. O índice Ibovespa, da B3, fechou aos 143.608 pontos, com recuo de 0,41%. Ainda em um movimento de realização de lucros, os investidores estão vendendo ações, após o indicador ter superado os 146 mil pontos na última semana de setembro. Além da conversa entre Lula e Trump, o dólar caiu em um contexto favorável para as economias em desenvolvimento. A desvalorização do iene, moeda japonesa, beneficiou as divisas de países emergentes. Além disso, a alta do preço do petróleo no mercado global favoreceu países exportadores de commodities (bens primários com cotação internacional), como o Brasil. *Com informações da Reuters Instagram Twitter Youtube Tiktok

‘Nem deveria ter entrado’: Valter Pomar defende rompimento do PT com Riedel

Em entrevista exclusiva, candidato à presidência nacional do PT defendeu guinada à esquerda e saída do governo sul-mato-grossense Condução e roteiro: Norberto Liberator Na história do Brasil, nenhuma agremiação de esquerda foi tão bem-sucedida quanto o Partido dos Trabalhadores. De um papel decisivo na Constituinte de 1988 a prefeituras, governos de estados e à eleição do primeiro operário a chegar à presidência da República, a legenda se consolidou com a base sólida em uma militância “pé no barro”. Sindicatos, movimentos de luta pela terra, pastorais católicas, intelectuais e artistas formaram uma força ampla e diversa que não tinha medo de falar em socialismo. Hoje, o cenário é diferente. Ao longo de três mandatos e meio, até um golpe de Estado, o PT se desgastou. As concessões à direita se tornaram cada vez menos pontuais e mais profundas desde a “Carta aos Brasileiros”, lançada antes da vitória eleitoral em 2002, ano em que o partido apostou num empresário de centro-direita como vice.  Abandonando cada vez mais o discurso radical e se tornando parte do “sistema”, o PT perdeu parte do encantamento que possuía sobre a juventude e as camadas mais populares. Há quem aponte que o partido começou a caminhar para a política de conciliações desenfreadas não em 2002, mas em 1995, quando José Dirceu foi eleito seu presidente nacional. Naquele ano, Dirceu era considerado o candidato do “centro”, enquanto Hamilton Pereira representava a ala mais à esquerda. Atualmente, o PT passa novamente por eleições internas. O chamado PED (Processo de Eleição Direta) ocorre no dia 6 de julho. Novamente, o partido tem uma disputa entre setores que querem levá-lo mais ao centro e os que defendem mais radicalidade. Entre o segundo grupo, um dos candidatos esteve em Campo Grande em uma rara noite de frio na capital sul-mato-grossense.  De boina, sobretudo e uma camiseta com estampa em apoio à causa palestina, Valter Pomar cedeu entrevista à Badaró em uma padaria, onde conversou sobre os rumos do PT e da política nacional. Badaró: Em Mato Grosso do Sul, o PT integra a base do governo Eduardo Riedel. Uma figura do agronegócio, que recentemente colocou sua polícia para agredir companheiros sem-terra e que defende a anistia dos golpistas do oito de janeiro. Como você vê essa aliança e a possibilidade de um rompimento com esse governo? Valter Pomar: Que o PT não deveria ter entrado nesse governo e já deveria ter saído. Não é um problema do Mato Grosso do Sul. Em vários estados brasileiros aconteceu algo parecido. Em nome de derrotar a extrema direita, o PT nas eleições apoiou um candidato da direita. Muitas vezes esse candidato da direita também era meio extremo. Mas o PT não apenas apoiou esses candidatos, como deu um passo além. Começou a participar do governo. Esse passo além é mortal, na minha opinião. Porque uma coisa é você sugerir à população que num segundo turno, onde o PT não está, vote contra o candidato da extrema direita. Outra coisa é você recomendar à população que vote num candidato da direita para derrotar o candidato da extrema direita. E uma terceira coisa diferente é você transformar isso em participação no governo, porque aí você se compromete com a execução de um programa que não tem nada a ver com o nosso. Então, isso aconteceu em vários estados do país, de diferentes formas. O Rio Grande do Sul, por exemplo, é um estado onde nós, no segundo turno, sem que houvesse uma decisão formal do partido, indicamos o apoio ao Leite. Não chegamos a fazer parte do governo, mas a simples indicação de apoio já rendeu problemas para o partido, porque não se faz uma oposição correta. Aqui no Mato Grosso do Sul se deu um passo além, ou seja, o PT começou a participar do governo. É um erro. O correto é que o PT saia imediatamente do governo, até porque, como você disse, este governador adotou uma posição, uma questão-chave que o reassociou à extrema direita. Hoje, quem defende a anistia para os golpistas não pode ser considerado como um aliado democrático, sob nenhum aspecto. Duas mulheres da política sul-mato-grossense têm chances de serem candidatas à vice-presidência no ano que vem. Tereza Cristina pela extrema direita, seja com Ronaldo Caiado, Tarcísio ou qualquer nome inventado, e Simone Tebet, como possível vice do Lula. Embora seja um quadro considerado mais ao centro, a Simone também é ligada ao agronegócio. O seu marido, Eduardo Rocha, é secretário da Casa Civil, justamente do governo Riedel. E como você vê essa influência das elites agrárias do Mato Grosso do Sul, que perpassam todo o espectro político, sobre a política nacional e particularmente sobre o governo federal? Veja, a influência do agronegócio é uma marca da história do Brasil. Desde que o Brasil é Brasil, o latifúndio cumpre um papel muito importante na política brasileira e é o setor mais reacionário da classe dominante. Nesse período mais recente, houve uma expansão acentuada do agronegócio na região Centro-Oeste e na região Norte do país. E desses dois territórios vem uma base muito importante da oposição de extrema direita e de direita contra nós. Claro que existem diferenças dentro do agronegócio, diferenças políticas, mas elas não são estruturais. Essa é a primeira questão. A segunda questão é que tudo caminha, ano que vem, para uma aliança entre as duas alas da direita. No primeiro e/ou no segundo turno. Portanto, a gente corre um risco muito grande de que forças que nos apoiaram em 2022 passem a disputar contra nós no primeiro e no segundo turno na disputa presidencial. Essa influência do agronegócio é totalmente deletéria. O Brasil não pode continuar sendo uma subpotência primária exportadora. O agronegócio precisa ser derrotado e as suas expressões políticas também. É interessante que você destaque o fato de que são duas mulheres, ou seja, a direita brasileira está fazendo uma renovação e está dialogando com as tendências renovadoras que existem na sociedade. Muitos desses quadros da extrema direita e da direita no Congresso Nacional são