Ralé da Bola #2: Gustavo Bruno (Gugu)

Segundo episódio de podcast sobre ideologia do desempenho no futebol recebe jogador do Águia Negra, clube da cidade de Rio Brilhante/MS Por Alison SilvaArte por Marina Duarte No segundo programa do Ralé da Bola, podcast sobre a ideologia do desempenho no futebol, Alison Silva conversa com Gustavo Bruno Santos de Almeida, o “Gugu”, lateral-direito do Águia Negra, equipe de Rio Brilhante, interior de Mato Grosso do Sul, clube bicampeão Sul-Mato-Grossense de forma consecutiva em 2019 e 2020. Com 31 anos de idade, Gugu fala de sua carreira profissional e os percalços vividos durante este período. Além disso, o rio-brilhantense discorre sobre os clubes em que passou, assim como expõe as situações de preconceito sofridas, seus perrengues financeiros, empregos anteriores e até mesmo simultâneos ao futebol profissional. Gugu foi eleito para a seleção da primeira fase do Brasileirão Série-D deste ano, anotando cinco gols em 11 jogos disputados. Produzido por Alison Silva, o Ralé da Bola é parte do seu trabalho de conclusão de curso (TCC) em jornalismo pela Universidade Federal de Mato Grosso Do Sul (UFMS).
Cuiabá: de escolinha amadora à elite do futebol brasileiro
Fundado em 2001, clube mato-grossense é o primeiro “geração Z” a subir para a Série A do Brasileirão Texto por Gabriel Neri Arte por Norberto Liberator Pela primeira vez em 19 edições na era dos pontos corridos, desde 2003, o Campeonato Brasileiro da Série A de futebol terá uma equipe de Mato Grosso participando da competição. O Cuiabá Esporte Clube, fundado em 12 de janeiro de 2001 e sediado na cidade homônima, conquistou o acesso com uma boa campanha na Série B de 2020, que terminou nesta semana. O time ficou em quarto, com 61 pontos – atrás da Chapecoense, campeã, do América Mineiro, vice, e do Juventude-RS. O Cuiabá é o sexto mato-grossense a alcançar à Série A do Brasileirão, sendo o primeiro clube nascido no século XXI presente nela. Antes dele, tivemos o Mixto, com 11 participações, o Operário de Várzea Grande, com quatro, Dom Bosco, com três, Comercial, com cinco, e Operário, com duas. Esses dois últimos vêm com uma observação, porque estão sediados atualmente em Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul. Eles entram na conta, pois na época estavam vinculados à Federação Mato-Grossense de Futebol (FMF). A divisão do Estado de Mato Grosso aconteceu em outubro de 1977 e o primeiro Estadual Sul-Mato-Grossense só foi disputado em 1979. Mas naquele momento, com os inchados campeonatos organizados pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF), a conquista da vaga ao nacional era via estaduais. Atualmente, os times sem divisão entram na Série D e, para jogar as divisões superiores, têm que conseguir a promoção. Além do inédito acesso, o Auriverde da Baixada, como é conhecido, vem acumulando boas campanhas nos últimos anos. Desde 2015, foram quatro conquistas do Mato-Grossense. Ao todo, o clube tem nove, e seus dois principais títulos são as edições de 2015 e 2019 da Copa Verde. A competição de equipes da região Centro-Oeste e Norte rendeu duas importantes vagas ao Dourado. Em 2016, foi a para Copa Sul-Americana (segunda competição mais importante do continente, abaixo da Libertadores) e, em 2020, para as oitavas da Copa do Brasil. A queda na Sula veio na segunda fase, diante da Chapecoense, que viria a ser coroada campeã. Já na Copa do Brasil, depois de eliminar o Botafogo, o atual finalista Grêmio eliminou o Dourado. Essa campanha foi a melhor de um time mato-grossense na Copa. História do Dourado A trajetória do Cuiabá começa em um 12 de dezembro de 2001, com sua fundação pelo ex-jogador Luis Carlos Tóffoli, conhecido com Gaúcho, que faleceu em 2016. Antes da existência do Dourado em si, o centroavante que passou por Flamengo, Palmeiras, Atlético Mineiro, Grêmio e Boca Juniors coordenava a Gaúcho Escola de Futebol, conhecida como Escolinha do Gaúcho. O Cuiabá era um projeto inicialmente voltado às categorias de base. Foi somente em 2003 que houve a mudança para o profissionalismo, com a primeira participação no Mato-Grossense. As cores escolhidas foram as mesmas presentes na bandeira do Município de Cuiabá, verde e o amarelo. Ao centro do escudo, está o Obelisco Geodésico da América do Sul. Vale ressaltar que a capital do Mato Grosso está no centro da América do Sul. O mascote é um peixe dourado, animal presente na fauna mato-grossense. Já em seus primeiros anos de profissionalismo, a equipe conseguiu o bicampeonato estadual, com os títulos de 2003 e 2004. Isso rendeu duas vagas na Copa do Brasil, em 2004 e 2005. Após o sucesso meteórico, o Cuiabá ficou desativado entre 2006 e 2008 por falta de recursos. Na época, o Cuiabá, que é um clube-empresa, teve a sociedade entre Gaúcho e os irmãos Nepomuceno desfeita. A volta foi em 2009, na segunda divisão do Mato-Grossense. O time de Gaúcho subiu e dois anos depois já estava disputando a quarta divisão nacional. O acesso à Série C veio em 2012 e, a partir daí, o período na terceirona durou até 2019. O Cuiabá jamais olhou para baixo na tabela, sempre subiu e em 2021 disputará a Série A sendo o primeiro representante de Mato Grosso em 35 anos. O primeiro grande título foi a Copa Verde de 2015. Depois de eliminar o Cene-MS, o Estrela do Norte-ES e o Luverdense em um duelo local, venceu o Remo em um jogo épico na Arena Pantanal por 5 a 1 e sagrou-se campeão. A ida tinha sido 4 a 1 para o Leão Azul. A virada ficou lembrada como Milagre do Pantanal, ou Cuiabaço, em referência ao célebre Maracanaço de 1950, quando o Uruguai surpreendeu o Brasil e se sagrou campeão do mundo. Em 2019, no bicampeonato, o time eliminou o Iporá-GO, o Costa Rica-MS e o Goiás antes de bater outro paraense na final. Dessa vez, foi o Paysandu. Ao longo de seus 19 anos, passou por três estádios: o Estádio José Fragelli (demolido em 2010), o Estádio Eurico Gaspar Dutra – conhecido como Dutrinha – e a Arena Pantanal, inaugurada em 2014. O Fragelli deu lugar ao estádio que foi uma das sedes da Copa do Mundo em 2014. Foi nela que o Dourado alcançou outro patamar, chegando à primeira divisão. O primeiro jogo na Arena para 44 mil torcedores foi pela Copa do Brasil, no empate em 1 a 1 diante do Internacional na segunda fase, em 2014. Campanha na B e expectativas para A A trajetória na Série B de 2020 não teve muito sustos para o time do Mato Grosso. A pior posição da equipe foi um 7º lugar na 8ª rodada. O time de Marcelo Chamusca, treinador que começou a campanha e depois de Rodrigo Aal chegou a ser líder e brigar pelo título. Porém, foi ultrapassado por América e Chapecoense, se consolidando no G4 de acesso. Foram 38 jogos, 17 vitórias, 10 empates e 11 derrotas. Seu máximo artilheiro foi Elton, com 9 gols. O Cuiabá após conseguir o inédito feito de ser o primeiro mato-grossense a subir no atual formato do Brasileiro à Série A, buscará se manter entre os 20 clubes de elite para 2022. O objetivo é evitar
Ralé da Bola #01: Juliano de Souza

Ouça o primeiro episódio do podcast Ralé da Bola!
Leônidas da Silva, o Diamante Negro [Badasportes #1]
Popularizador da bicicleta, primeiro brasileiro na artilharia de uma Copa, pioneiro no marketing esportivo e militante de esquerda, atacante foi maior ídolo do futebol brasileiro antes do advento de Pelé Por Gabriel Neri, Jean Celso e Norberto Liberator Norberto Liberator Editor-chefe Jornalista, ilustrador e cartunista. Interessado em política, meio ambiente e artes. Autor da graphic novel “Diasporados”. Gabriel Neri Repórter Estudante de jornalismo, amante de futebol sul-americano e da América Latina. Jean Celso Repórter Jornalista, podcaster, entusiasta da TV e do Rádio. Interessado em futebol, política e cannabis, dedica-se à pauta antiproibicionista.
Covardia avança, resistência contra-ataca
De Paris a Caldas Novas, enfrentamento a casos de racismo no futebol mostra que conivência histórica começa a desmoronar Por Mateus Moreira, Gabriel Neri e Norberto LiberatorArte por Fábio Faria As competições futebolísticas, de maneira geral, foram por diversas vezes palco de preconceitos raciais. Em sua grande maioria, os insultos racistas partiam de torcedores, ou de jogadores de uma das equipes. No entanto, no decorrer de dezembro, a situação, que já era repugnante e inaceitável, ficou ainda pior. No início do mês, o racismo foi manifestado por um membro da arbitragem, ou seja, de uma autoridade em campo que supostamente zelaria pelo regulamento e pelos valores da federação à qual serve; e, mais recentemente, os insultos foram contra uma criança. Na última quarta-feira (16), o alvo de agressões verbais racistas foi um garoto de apenas 11 anos. O menino Luiz Eduardo, que atua no time sub-11 do Uberlândia Academy, relatou ter sido por diversas vezes referido como “o preto” pelo treinador da equipe Set Esporte, Lázaro Caiana, durante um jogo válido pela Caldas Cup, em Caldas Novas, interior de Goiás. Mesmo com seu time tendo ganhado a partida, Luiz deixou o campo chorando. Perguntado sobre o motivo, deu a resposta gravada em vídeo que viralizou nas redes sociais. O garoto prestou depoimento na sexta-feira (18) e um boletim de ocorrência foi registrado. Caiana foi afastado do clube. Luiz recebeu apoio de atletas como Gabriel Jesus, Hugo Souza, o salonista Arthur Guilherme e Neymar, que esteve presente na partida em que a manifestação racista de um árbitro provocou a retirada de ambas as equipes de campo. No caso da partida do dia 8, o romeno Sebastien Coltescu foi o personagem central do lamentável episódio, no jogo entre Paris Saint-German (PSG) e Istanbul Basaksehir, deixando de lado as questões futebolísticas, como o aguardado brilhantismo de Neymar e a despedida do clube turco da temporada na UEFA Champions League. O quarto árbitro proferiu insultos racistas ao ex-jogador camaronês e membro da comissão técnica, Pierre Webó, que afirmou em entrevista à Rádio Onda Cero que Coltescu teria dito “retire esse negro” ao árbitro da partida. O caso Coltescu evidencia uma conduta hipócrita: UEFA, responsável por aquela que é considerada a maior competição de clubes do mundo, adota constantemente discursos contra o racismo, acrescentando faixas na entrada dos jogadores, dizeres nos uniformes, dentre outros. Mas como uma instituição que supostamente luta contra preconceitos raciais permite que uma autoridade de campo, teoricamente capacitada, se intitule no direito de se referir a um membro de comissão técnica, proferindo tais palavras? Na teoria, uma entidade com tais posturas diante de câmeras e patrocínios, teria como dever realizar, internamente, um treinamento básico envolvendo suas consideradas ‘’autoridades de campo’’, visando a conscientização e reeducação de seus profissionais, mesmo tendo em vista que o ocorrido poderia ter sido evitado pelo simples ‘’bom senso’’. O futebol, finalmente, vence o racismo Por diversas vezes, quando futebol e racismo se encontraram, as acusações da vítima foram colocadas abaixo do esporte. Em diversos casos, jogadores, vítimas de insultos, eram expulsos de campo por suas reações, para que as partidas fossem normalmente retomadas. Por outras vezes, jogadores que sofreram insultos racistas tentaram se retirar de campo, mas não tiveram apoio e foram convencidos a seguir na partida. Entretanto, na noite em Paris, o Parc de Prince foi palco de uma revolta histórica. Ao perceberem o ocorrido, jogadores do PSG também saíram em defesa da vítima. Neymar, o capitão Marquinhos e a jovem promessa francesa Kylian Mbappé, foram os primeiros a cobrar um posicionamento da arbitragem. Os parisienses, inclusive, se recusaram a retomar a partida enquanto o quarto árbitro estivesse em campo. ‘’Não vamos jogar com esse cara aqui’’, disse Neymar que foi complementado por Mbappé: “Se esse cara não sair, nós não jogamos”. Pierre Webó também revelou ter recebido apoio, novamente, de jogadores do PSG, mas desta vez, fora de campo. ‘’ Leonardo (diretor do PSG), Mbappé e Neymar me encontraram depois no vestiário’’, afirmou. Percebendo a proporção da situação, a equipe do Istanbul Basaksehir se retirou de campo, acompanhada dos jogadores do PSG. A partida ficou suspensa, até que a UEFA enviou uma ordem para que a partida fosse retomada. Os parisienses até voltaram ao túnel de acesso, mas os jogadores do Istanbul sequer saíram do vestiário e a partida foi oficialmente adiada para quarta-feira (09). Até o momento da paralisação, a partida estava paralisada em 0 a 0, até que o atacante Demba Ba marcou um golaço. O senegalês se dirigiu ao quarto árbitro e o questionou: “Você nunca diz: ‘este cara branco’, você diz ‘este cara’. Então me ouça, por que quando você menciona um cara negro você diz ‘este cara negro?” Fora dos gramados, outra vitória: o Conselho Anti-Discriminação Romeno, reconheceu a acusação feita ao quarto árbitro. “É racismo sem possibilidade de interpretação. Ele poderia ter identificado o jogador por tantos outros detalhes e ignorar sua cor”. Quando retomada, no dia seguinte, a partida contou com outro grande gesto diante da execução do hino da UEFA: jogadores e equipe de arbitragem – que foi completamente modificada – se colocaram de joelhos e cerraram os punhos em forma de protesto. O 5 a 1 do Paris Saint-Germain, que contou com hat-trick de Neymar e doblete de Mbappé, foi apenas um complemento da noite em Paris. O clima pesado que possuiu o mundo do futebol e adentrou o Parc de Prince, após o lamentável episódio de injúria racial, deu lugar à ‘’pequenos’’ gestos, que no meio esportivo fazem grande diferença, diante de seu reflexo na sociedade. Pouco mais de uma semana após o ocorrido, juridicamente o caso ainda não teve um desfecho. Punições ainda não foram aplicadas ao quarto árbitro da partida, Sebastien Coltescu, e o escândalo parece cair no esquecimento. A expectativa é que tudo se resolva da forma mais justa possível, mas a atitude de se retirar de campo, assim como o B.O. e o afastamento de Caiana do time de base em que era técnico, simboliza algo que já deveria
