Badaró convida: Franklin Schmalz

Vereador eleito pelo PT de Dourados estreia novo projeto de entrevistas em audiovisual Entrevista: Norberto LiberatorImagens e edição de vídeo: Maurício Costa Jr. Em novo formato de entrevistas em vídeo, a Revista Badaró recebe o vereador recém-eleito por Dourados e primeiro parlamentar declaradamente LGBT+ do município, Franklin Schmalz. O petista falou sobre sua eleição, trajetória política, perspectivas para o mandato e para a esquerda no Brasil. A entrevista pode ser assistida pelo vídeo, que está em nosso canal com legendas disponíveis, ou lida na íntegra logo abaixo do material. Norberto: Você é o primeiro vereador eleito em Dourados que se declara LGBT. Em Campo Grande nós tivemos também a eleição do Jean Ferreira, pelo mesmo partido, levantando essa bandeira. Você considera que a eleição de dois vereadores homossexuais, com um eleitorado muito forte entre a juventude e os dois principais municípios do estado,revele uma mudança geracional no estado conservador, como Mato Grosso do Sul? Franklin: Eu acredito que sim, mas eu acredito que para a gente ter chegado nesse espaço, a gente teve um acúmulo de lutas, posso falar pela experiência talvez do Jean também, mas mais da minha, de uma construção mais ampla para além tanto da comunidade LGBT quanto da pauta. Porque eu acho que não seria suficiente, eleitoralmente falando, chegar nesse espaço, chegar nesse lugar, pelo menos em Dourados, sem ter uma plataforma de campanha mais ampla e uma atuação política mais ampla também. Porque não é só ser LGBT, é ser um LGBT que se considera socialista, ser um LGBT no Partido dos Trabalhadores, E aí, eu acho que Dourados é uma cidade muito mais provinciana ainda do que Campo Grande. A gente tem algumas características ainda mais de interior, então eu acho que o eleitorado é mais disputado nesse sentido. Então, eu não sei se é uma mudança geracional ou se é um conjunto de fatores. E aí, nesse caso, também um acúmulo de capital político. Eu costumo atribuir a última década. Porque eu acho que eu sou um quadro construído nesses últimos dez anos. Desde o movimento estudantil, a gente tem… Começou em 2013. O que o país passou nos últimos dez anos, assim, muitas coisas, muitos processos, jornadas de junho, o impeachment, o golpe contra a Dilma, governo Temer, governo Bolsonaro, a gente consegue depois derrotar o Bolsonaro nas urnas, enfim, todos esses processos serviram para me forjar também. E eu acho que eu acabo tendo esse resultado agora em Dourados como também uma consequência desse processo de luta. Então, eu não acho que é só geracional. Eu acho que talvez se fosse só juventude na política, se fosse só essa bandeira, se fosse só um cara LGBT que defende essa pauta, a gente não teria chegado lá. Ainda mais com o resultado expressivo, né? A segunda candidatura mais votada da cidade, enfim. Então, eu atribuo a um conjunto de fatores. E acho que é isso. Norberto: Você mencionou a sua trajetória, esses mais de 10 anos de caminhada, e você iniciou a militância política no PSOL. Quando você estava no PSOL, você foi um dos candidatos mais votados para vereador, mas não assumiu devido ao quociente eleitoral. A sua ida para o PT, por um lado, ela pode ser vista como uma atitude pragmática, por não ter mais chance de ser eleito, mas eu quero saber se você atribuiria, na verdade, a uma questão mais programática, já que o PSOL do Mato Grosso do Sul pouco tem a ver com aqueles quadros nacionais que são referências para a esquerda e tal. Franklin: Perfeito. Eu demorei para tomar essa decisão da migração partidária e eu vivi o PSOL intensamente durante sete anos de filiação e desde a minha entrada no PSOL eu fiz a disputa da estrutura partidária e a disputa do programa também. porque como o PT é um partido de tendências e infelizmente no Mato Grosso do Sul a gente vinha de um monopólio, digamos assim, da estrutura partidária num único grupo político já há mais de 15 anos. E nós demoramos até conseguir romper aquela hegemonia. Mas mesmo rompendo, quer dizer, sendo parte da direção e eu ocupei um cargo, enfim, tínhamos uma maioria, não foi suficiente. para conseguir inverter a lógica, digamos assim, porque a política do PSOL no Mato Grosso do Sul, a experiência que eu tive, era de golpe atrás de golpe, de sufocamento das nossas condições de fazer não só a disputa política eleitoral, mas também de atuar na militância. A minha primeira candidatura em 2020 foi uma candidatura muito rebelde, porque a direção do partido não queria aceitar e eu não recebi um real do fundo eleitoral. O presidente do partido na época entrou na justiça para derrubar a nossa convenção. Então, foi sempre assim. Sempre fazendo uma disputa interna muito acirrada. E eu não sou contra a disputa interna, pelo contrário. Eu tenho plena consciência de que no PT também existe essa disputa. Ela é saudável, mas no PSOL o clientelismo também, a conveniência uma completa falta de critério na hora de aproximar pessoas, de aproximar candidaturas, fazia, parece que com todo o nosso esforço, ele era um esforço no final em vão, ou então desgastava muito. Não fui o primeiro que entrei no PSOL tentando fazer também essa mudança no estado. Várias outras pessoas tinham tentado antes. E eu, num determinado momento, que foi em 2023, Depois de ter passado pelo meu terceiro congresso partidário, eu fiz a avaliação de qual batalha que eu ia travar dali pra frente. Já existia uma relação muito saudável com os companheiros do PT, que foi construída na luta mesmo, na rua, nos protestos, enfim, no movimento sindical. Então, existe um terreno fértil também para essa minha ida ao PT, por respeitar também muitas pessoas, sobretudo de Dourados mesmo. Então, eu acho que é um conjunto de dois fatores, né? As condições do PSOL, não só as eleitorais, mas as condições de construção mesmo, e também de aplicação desse programa que você falou das lideranças nacionais.
México: continuidade e desafios

Vitória de Claudia Sheinbaum e maioria no Congresso consolidam projeto de López Obrador, mas há políticas que precisam ser revistas Por Norberto Liberator Norberto Liberator Jornalista, ilustrador e quadrinista. Interessado em política, meio ambiente, artes e esportes. Instagram Twitter Youtube Tiktok
Votos sem cabrestos

Diferente de discursos xenofóbicos ou mesmo de simplificações rasas, maior adesão por candidatos petistas à presidência no Nordeste não ocorre por votos de cabresto, mas por fatores diversos de uma dinâmica complexa Por Carolina de MendonçaArte por Iara Cardoso A cada quatro anos, durante o mês de outubro, já é de praxe. Seja nas redes sociais, nos espaços públicos na região centro-sul ou em colunas e comentários nos jornais, a xenofobia contra nordestinos costuma ser intensificada. Historicamente, a região Nordeste é conhecida por votar majoritariamente nos candidatos do Partido dos Trabalhadores (PT) para a presidência da República. Um clássico xingamento, disfarçado de análise política usada pelos críticos, é que o Nordeste seria “Brasil profundo” dominado por coronéis. Não restam dúvidas de que, nos nove estados da região, há famílias que por décadas comandam a política local. É o caso da conhecida nacionalmente família Sarney no Maranhão, cujo patriarca José Sarney (PMDB) chegou à presidência do Senado Federal e do país, ou da família Magalhães, recém derrotada para o governo da Bahia por Jerônimo Rodrigues (PT), o primeiro indígena a ser eleito governador no Brasil, em um pleito marcado por fraude racial do adversário ACM Neto (União), que chegou a se declarar negro. No entanto, pequenos grupos dominarem uma enorme região não é uma problemática nordestina, mas do capitalismo, em especial pela colonização iniciada em capitanias hereditárias, onde hoje estão principalmente os estados do Nordeste. No estado de São Paulo, o mais populoso do país, há décadas a família Covas tem participação direta na política — em 2020, mesmo com o candidato Bruno Covas (PSDB) apresentando estado avançado de câncer, que o levaria a óbito em maio de 2021, ele foi eleito prefeito da capital paulista, derrotando Guilherme Boulos (PSOL) nas urnas. Ou a família Tebet no Mato Grosso do Sul, como já mostrado em reportagem da Revista Badaró, que domina a política local e teve com Simone Tebet (MDB), senadora de destaque durante a CPI da Covid e candidata à presidência da República, maior visibilidade nacional. Ainda que os votos à esquerda na região Nordeste sejam fortes para a presidência, não são homogêneos nas eleições locais. No último pleito, Sergipe teve, em todos os municípios, vitória de Lula desde o primeiro turno, porém elegeu majoritariamente deputados federais e estaduais de direita, como o bolsonarista Laercio Oliveira (Progressistas), eleito ao Senado Federal, e o também bolsonarista Fábio Mitidieri (PSD) ao governo estadual, que venceu o senador petista Rogério Carvalho. Uma outra justificativa usada para menosprezar as escolhas eleitorais da população nordestina é a pobreza da região, traduzida pelo argumento de que esta “votaria pelo estômago”. A terrível analogia coloca o sujeito que passa fome como incapaz de ter um pensamento crítico e sugere que o impacto direto nas necessidades básicas para sobrevivência não seria um motivo razoável para suas decisões políticas. Os comentários ofensivos ou especulações sobre o voto da região são, acima de tudo, ignorantes, não demonstram uma compreensão da complexidade da política dos nove estados e não pensam o país de forma ampla. O veículo independente Marco Zero Conteúdo, situado em Pernambuco, buscou, junto a professores de universidades nordestinas, quais seriam os motivos que levam essa população a votar. As motivações são amplas e é possível traçar análises diversas. Uma região não é capaz, e nem deveria ser, de carregar o país nas costas, mas os votos têm sido importantes para neutralizar o avanço da direita no Brasil. Desde 2002, os candidatos petistas à presidência da República venceram no Nordeste, inclusive na dolorosa eleição de 2018, que levou ao poder o fascista Jair Bolsonaro, na época pelo PSL. Naquele ano, nos nove estados, o professor Fernando Haddad (PT) venceu no segundo turno, mesmo não sendo uma figura tão conhecida em território nordestino. Apesar de o voto dar o cargo a Bolsonaro, não se pode dizer que as eleições ocorreram de forma democrática. A incitação ao ódio, o disparo de mensagens com informações falsas, o pânico moral, a prisão de seu principal opositor e até a alegação de fraude das urnas eletrônicas – mesmo após a vitória – estiveram presentes na disputa de 2018. Naquele ano, o cadastramento de biometria também fez com que milhões de títulos de eleitor fossem cancelados no Brasil, a maior parte no Nordeste. O medo de que a esquerda moderada retomasse a presidência fez com que as instituições trabalhassem a favor do fascismo, limitando os direitos civis da população por uma questão burocrática. Não se deve entender o episódio como uma problemática pontual ou atribuir uma culpa à população pela desinformação, já que muitos municípios nordestinos ainda vivem desertos de notícias. O ocorrido em 2018 foi um golpe à democracia. Em 2019, o governo Bolsonaro teve um início nada bom para a região, que naquele ano sofreu com um derramamento de óleo no litoral que afetou os ecossistemas, em especial a restinga e o manguezal, além de comunidades ribeirinhas, pesca e turismo locais. Além do impacto pessoal para os moradores, que têm a praia e os rios que desaguam no mar como parte do cotidiano e identidade, os habitantes passaram por um enorme afastamento físico desses espaços, apesar de manterem a proximidade geográfica. Durante a pandemia de Covid-19, foi criado o Consórcio Nordeste, visando amenizar a negligência vinda do presidente que debochava das milhares de mortes no país. Alguns por táticas políticas, outros por posicionamento ideológico, uns de forma mais evidente, outros de forma bastante discreta, o certo é que todos os governantes da região se posicionaram contrários ao bolsonarismo. Mesmo aqueles que, dentro de seus estados, permaneceram com práticas similares ao então presidente. A população nordestina, em sua maioria, repudia Bolsonaro. O que fez em 2022 figuras como ACM Neto (BA) e Fábio Mitidieri (SE) esconderem suas afinidades e aproximações com o presidente, ignorando acenos e tentando criar associação à figura de Lula. Arte: Iara Cardoso Não apenas há um ódio a Bolsonaro, como um carinho por Lula – mas não um fanatismo –, uma identificação com esse retirante de Pernambuco, ex-metalúrgico que teve sua vida política
Quanto custou o voto do seu candidato?

Levantamento da Revista Badaró indica que eleições movimentaram em torno de R$ 5,21 bilhões de recursos de partidos políticos Por Gabriel NeriArte por Marina Duarte O Brasil em 2022 teve as eleições gerais que definem os mandatários ao Poder Executivo nacional e estadual pelos próximos quatro anos. Além dos cargos de presidente e governador, se elegem deputados federais e estaduais para um mandato de quatro anos. O Senado Federal é composto por 81 senadores e 27 foram eleitos para assumir o cargo em 2023. Levantamento feito pela Revista Badaró com base em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre votação e as receitas que cada candidato teve para este pleito indica que os recursos de partidos políticos somam R$ 5,21 bilhões. Para verificar somente quanto custou de recurso público, foram desconsideradas as doações que cada candidato recebeu. Não houve distinção entre o FEFC e o Fundo Partidário. Assim, ambos estão somados. Alguns candidatos não constam nas receitas recursos públicos recebidos ou tiveram os votos anulados. Desse modo, as médias não foram calculadas. Além disso, o cálculo para o custo-voto (divisão do valor recebido pelo número de votos) leva em conta somente a votação de primeiro turno. Para conferir quanto custou o voto de cada candidato do Brasil, confira na tabela abaixo. Há a opção de fazer a busca com base no nome de urna utilizado pelo candidato no pleito de 2022. Legislativo federal Seguindo a ordem de votação da urna, o primeiro cargo é o de deputado federal. O maior custo voto foi de Nonato Baleco (PROS-MA) que teve 10 votos para os R$ 300 mil de receita. Talita Canal (PL-RR) recebeu 11 votos para os R$ 200 mil. Adriana Mendonça (PROS-AM) custou R$ 12,5 por cada um dos 240 votos recebidos. O Sargento Isaias (DC-TO) recebeu apenas um voto e custou R$ 8.150. Todos eles não foram eleitos. Para o cargo de senador da República, o Distrito Federal concentra os dois com os maiores custo-voto. Ambos perderam para ex-ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves (Republicanos-DF). Marcelo Hipólito (PTB-DF) recebeu R$ 520 mil e teve apenas 1841 votos. Carlos Rodrigues (PSD-DF) teve custo de R$ 177,21. Os três seguintes são de Roraima, que perderam para Dr. Hiran (PP-RR). Eles somam R$ 3,66 milhões e 23,4 mil votos. Com custo de R$ 177,18, Maranhão do Povão (PDT-RR) foi o terceiro na lista. Telma Mota (PROS-RR) teve R$ 3 milhões e cada voto custou R$ 152,99. Por fim, Sanderson Moura (PSOL-RR) custou R$ 109,93. Dois candidatos não receberam votos, mas custaram R$ 13.489,23. Ambos são do Democracia Cristã. Elaine de Jesus, de Minas Gerais, recebeu R$ 2,5 mil. O outro é Gonzales Filho, do Maranhão, que teve mais de R$ 10 mil para sua campanha. Eleições de 2022 De acordo com dados do TSE, o país teve 156.454.011 de eleitores aptos a votar. Ao todo, foram eleitos 27 governadores, 27 senadores, 513 deputados federais, 1.035 deputados estaduais e 24 deputados distritais. Para compor esses cargos, foram 28.274. O órgão ainda não divulgou o quanto foi gasto para a execução das eleições de 2022. Os últimos números consolidados são de 2020. Nas eleições para prefeitos e vereadores no país, o pleito custou mais de R$ 730 milhões. O ministro do Supremo Tribunal Federal e vice-presidente do TSE, Ricardo Lewandowski informou no dia 30 de setembro que os custos das eleições seriam superiores ao do último pleito. A declaração foi dada em evento do programa de observadores e convidados internacionais para as eleições gerais deste ano, organizado pelo TSE. Ele estimou que o valor giraria em torno de R$ R$ 1.334.833.932. O custo por eleitor seria de R$ 8,53. Fundo partidário A Lei nº 9.096, de 19 de setembro de 1995, alterada pela Lei nº 11.459/2009 prevê recursos públicos para os partidos políticos do Brasil. O primeiro é o Fundo Especial de Assistência Financeira aos Partidos Políticos, denominado Fundo Partidário. Esse é constituído por dotações orçamentárias da União, multas, penalidades, doações e outros recursos financeiros que lhes forem atribuídos por lei. O outro é o Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) que os partidos podem utilizar no período eleitoral para disputar a eleição. Ao todo, o Brasil tem 32 partidos registrados no TSE. A regra de divisão do FEFC é a última eleição. 2% do recurso devem ser divididos entre todos os partidos. Já 35% dos recursos devem ser divididos entre os partidos na proporção do percentual de votos válidos obtidos pelas siglas que tenham pelo menos um representante na Câmara dos Deputados. Em relação ao cálculo da bancada na Câmara, 48% dos recursos do FEFC serão divididos entre os partidos na proporção do número de representantes na Câmara dos Deputados na última eleição. Os 15% dos recursos do FEFC que devem ser divididos entre os partidos, na proporção do número de representantes no Senado, devem ser contabilizados aos partidos para os quais os senadores foram eleitos. Gabriel Neri Estudante de jornalismo, amante de futebol sul-americano e da América Latina. MARINA DUARTE Ilustradora e quadrinista pantaneira. Feminista antiproibicionista interessada pela profunda mudança social. Twitter Youtube Facebook Instagram
Lula: uma trajetória em 13 fatos marcantes

De retirante a primeiro presidente da República a ser eleito em três ocasiões, confira momentos históricos da biografia do metalúrgico pernambucano Por Norberto Liberator e Vitória Regina Norberto Liberator Jornalista, ilustrador e quadrinista. Interessado em política, meio ambiente, artes e esportes. Vitória Regina Marxista e psicóloga. Debate política, psicologia e cultura. Twitter Youtube Facebook Instagram