Haiti e Brasil: diplomacia e relações extracampo

Ex-cabo sul-mato-grossense, imigrante haitiano e pesquisador da USP falam sobre experiências e impactos de missão que durou mais de 10 anos Por Alison SilvaIlustrações: Norberto Liberator As relações diplomáticas, humanitárias e culturais que entrelaçam Brasil e Haiti certamente  extrapolam as quatro linhas do confronto ocorrido no dia 19 de junho de 2026, apenas a terceira partida oficial entre as duas seleções. Se dentro do campo o duelo teve um contraste entre a seleção pentacampeã mundial e um país que volta ao maior torneio de seleções após 52 anos, fora dele, brasileiros e haitianos comungam de angústias e alegrias semelhantes. Ao menos é o que afirma o ex-cabo de exército Marcos Antônio Torres, pontaporanense de 35 anos que entre 2010 e 2013 esteve a serviço do governo brasileiro em Porto Príncipe, capital do Haiti. Ex-combatente do 11º regimento de cavalaria mecanizada de Ponta Porã, desembarcou na metrópole haitiana em agosto de 2010 com 21 anos de idade e apenas três de experiência militar. Sob a chancela da Organização das Nações Unidas e do Governo Federal, rumou de Mato Grosso do Sul ao Caribe junto de soldados de Bela Vista, Amambai, Corumbá e Campo Grande, todos incumbidos de auxiliar o efetivo de mais de 36 mil militares entre Exército, Marinha e Força Aérea que entre 2004 e 2017 atuaram na contestada Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti (Minustah).  Encabeçada pelo Brasil, a ação que durou mais de uma década tinha como princípio, em tese, restabelecer a segurança nacional e auxiliar na contenção de grupos armados e rebeldes que insurgiram contra o então presidente Jean-Bertrand Aristide. O ex-padre, ligado à Teologia da Libertação, foi eleito em 2001 e renunciou ao cargo em 2004. Em meio a toda instabilidade política e econômica vivida pelo país, a chegada de Marcos Antônio ao Haiti aconteceu seis meses após o terremoto que vitimou mais de 200 mil pessoas em janeiro de 2010.  “Fomos ajudar no processo eleitoral do país, protestos, bloqueios de ruas. Tomamos muitas pedradas, já que éramos a barreira entre os protestos e as urnas. Não interferimos nas eleições, nosso foco era a segurança. Os servidores haitianos faziam o manuseio das urnas e nós (soldados) fazíamos a escolta até as escolas e centros comunitários, locais de votação”, destacou o ex-cabo.  Além do serviço de segurança, cabia aos soldados brasileiros prestar apoio à polícia haitiana, além de realizar a entrega de suprimentos. “Nosso trabalho era entregar comida, água, alimentos e fazer a segurança do perímetro nos locais de votação”, conta Marcos Antônio. Distante do serviço militar desde 2016, ano de sua dispensa, atualmente trabalha como arborista em Ponta Porã, na fronteira com o Paraguai.  Sobre a rotina, segundo ele, era praxe, que cada soldado passasse três dias em missão e folgasse um dia após esse período, descanso que poderia ser interrompido a qualquer instante em caso de intercorrência.  “Normalmente passávamos cerca de três dias em missão e um na base, de folga, mas se ‘estourava’ alguma briga éramos convocados”, destaca Marcos, que recebeu cerca de R$ 4 mil mensais enquanto esteve no Haiti, metade paga pelo Exército Brasileiro, metade equivalente paga pela ONU.  Passada a primeira estadia, voltou ao Haiti apenas em 2013, período de transição, segundo ele. “Em 2013 o apoio foi mais institucional. Naquele momento interpretei que a ONU acreditou que o Haiti pudesse ‘se virar sozinho’. Em 2010 tínhamos muitos desabrigados, lugares precários e a população pedia ajuda para as tropas. Ao contrário do início da missão, onde o contingente era de 4 a 5 soldados por caminhão blindado, em 2013 cobrimos uma área maior com cerca de quatro soldados, menor efetivo”, diz Marcos Antônio.  De acordo com o ex-cabo, todas as patrulhas duravam cerca de 2h e eram acompanhadas por um intérprete local, falante de criolo e francês, idiomas oficiais do país. Apesar de presenciar alguns conflitos e mortes, foi nesse período que disse ter vivido as melhores experiências e integração com os locais, já que as regras permitiam que soldados visitassem orfanatos e praticassem esportes.  “Ali eu vi que os haitianos são muito próximos do Brasil e fanáticos por futebol. Todos os domingos, podíamos ir até o orfanato para jogar bola, brincar com as crianças. Vi o quanto eles eram gratos e diziam que coisas simples como água e energia eram consideradas riquezas”, frisou o sul-mato-grossense.  Uma parceria entre os dois países ocorreu em 18 de agosto de 2004, quando a Seleção Brasileira de Futebol, então campeã do Mundo, enfrentou a Seleção Haitiana em uma partida amistosa realizada no Estádio Sylvio Cator, em Porto Príncipe. O “Jogo da Paz” buscava incentivar uma campanha de desarmamento no país, com armas trocadas por ingressos.  Durante o evento, os confrontos entre as facções rivais foram interrompidos. O Brasil de Carlos Alberto Parreira goleou o Haiti por 6 a 0 com 3 gols de Ronaldinho, 2 de Roger Flores e um de Nilmar. Estreitamento de laços Doutor em Ciência Política e professor do Instituto de Relações Internacionais da Universidade do Estado de São Paulo (IRI-USP), Pedro Feliú Ribeiro destaca que, apesar das relações diplomáticas entre Brasil e Haiti se estabelecerem ainda no começo do século XX, período da República Velha, os laços bilaterais entre ambas as nações se estreitam após a missão.  Apesar da ausência de conflitos armados capazes de preparar o exército brasileiro para qualquer tipo de enfrentamento bélico desde o fim da Segunda Guerra Mundial, relembrou a participação de tropas do país em missões semelhantes às do Haiti, casos de Angola (1995) e Moçambique (1993). “Na época, o próprio governo haitiano solicita à ONU auxílio para estabilizar um país tomado por gangues armadas. Quais foram os aspectos centrais das Forças Armadas Brasileiras, essencialmente o Exército no Haiti a partir de 2004? Resguardar os processos eleitorais, garantir a segurança das eleições, realizar patrulhas e potencial combate de modo policial em relação às gangues, proteger os prédios públicos e treinar as forças policiais locais, fornecer logística, treinamento e material e também evidentemente resguardar os direitos humanos”, destaca Feliú.  Quanto ao sucesso militar

Inscrições para Brigada de Solidariedade com Cuba estão abertas até 30 de junho

Nova edição celebra o centenário do histórico ex-presidente cubano Fidel Castro Da redação Estão abertas as inscrições para a XXXI Brigada Latino-Americana e Caribenha de Trabalho Voluntário e Solidariedade com Cuba. A organização destaca que a iniciativa é “uma oportunidade única de vivenciar a realidade cubana, trocar experiências internacionais e fortalecer os laços históricos de resistência e apoio mútuo entre os nossos povos”. Os membros da delegação atuarão com trabalho voluntário, debates políticos e imersão cultural em Cuba. A atual edição é dedicada ao Centenário de Fidel Castro, celebrando o legado do comandante da Revolução Cubana e histórico dirigente da ilha socialista. “Nos ensinou que a solidariedade é a ternura dos povos”, afirmam os organizadores. Data da Brigada: De 02 a 15 de agosto de 2026.  Realização: Movimento Brasileiro de Solidariedade com Cuba (MBSC) e Instituto Cubano de Amistad con los Pueblos (ICAP).  Para obter informações e se inscrever, basta acessar o link, escrever para [email protected] ou apontar a câmera do seu celular para o QR Code na imagem. Instagram Twitter Youtube Tiktok

Puerto Rico es Puerto Libre

A nação de Bad Bunny, Ricky Martin e tantos outros expoentes culturais ainda é uma colônia dos Estados Unidos Por Norberto Liberatôr Instagram Twitter Youtube Tiktok