Opinião da Badaró | A política de privatizações de serviços essenciais é uma solução cruel de quem se declara sem competência para gerir o bem público
Editorial
A gestão da prefeita bolsonarista Adriane Lopes (PP), em Campo Grande, pretende privatizar postos de saúde para “reduzir custos” e “agilizar contratações”. O objetivo é transferir a administração de algumas unidades a Organizações Sociais (OS), instituições privadas que se apresentam como sem fins lucrativos.
O argumento de que o Estado “respira” ao transferir a responsabilidade de serviços públicos a entes privados é uma falácia. Na prática, como ocorreu com o transporte público, o Estado se torna um refém, que cria mais uma etapa na condução dos serviços e segue fazendo repasses ou salvando as instituições particulares em momentos de crise, quando estas alegam não ter dinheiro.
Transferir a responsabilidade pelos postos de saúde não cria leitos novos, não aumenta a oferta de exames, tampouco reorganiza o fluxo de pacientes. Foi o que argumentou, por duas vezes, o Conselho Municipal de Saúde, que recusou a proposta. De acordo com o órgão, o problema é de gestão pública e subfinanciamento; não de modelo administrativo, como diz a Prefeitura que se autodeclara incompetente.
Organizações Sociais são entidades privadas que operam com lógica empresarial, mesmo que não possuam fins lucrativos declarados. Para cortar gastos, as OS frequentemente adotam contratos sem estabilidade, com salários potencialmente menores e menos benefícios em comparação ao regime estatutário. Isso leva a uma alta rotatividade de profissionais e sobrecarga de trabalho, além da descontinuidade no cuidado, já que o paciente perde vínculo com a equipe.
A Badaró ressalta seu posicionamento contrário à privatização da saúde não apenas em Campo Grande, mas em todo o Brasil e o mundo. A política de privatizações de serviços essenciais é uma solução cruel de quem se declara sem competência para gerir o bem público.