Com textos de 15 autores, “Psicodramas Insurgentes” já está disponível em livrarias

Autores exploram temas essenciais, como necropolítica, racismo estrutural, branquitude, psicoterapia com pessoas em situação de vulnerabilidade e a clínica psicodramática da ansiedade Da redação Qual é o papel da promoção da saúde mental em tempos de acirramento autoritário? Como a abordagem psicodramática pode retornar a suas origens revolucionárias? Esta coletânea responde a essas perguntas com propostas concretas de enfrentamento.  Ao reunir ensaios que conectam a clínica às urgências políticas, a obra propõe um psicodrama situado e comprometido com a vida. Sem repetir fórmulas tradicionais, os autores exploram temas essenciais, como necropolítica, racismo estrutural, branquitude, psicoterapia com pessoas em situação de vulnerabilidade e a clínica psicodramática da ansiedade — sempre com um olhar decolonial.  Mais do que técnicas, este livro oferece ferramentas para uma ética de resistência. Indicada para terapeutas e estudantes que compreendem que o consultório não está isolado da rua, a obra nos convida a transformar o sofrimento psíquico em ação coletiva. Uma contribuição vital para quem deseja aliar cuidado individual e justiça social na contemporaneidade, reafirmando o potencial transformador do psicodrama em solo latino-americano.  Textos de: Alcione Ribeiro Dias, Ana Paula C. Scagliarini, Ana Paula de Freitas, Daniel Russell Oliveira, David Ordaz Bulos, Devanir Merengué, Érico Vieira, Laura de Souza Zingra Vomero, Luiza Maria Soares Barros, Maria Célia Malaquias, Maria Inês Gandolfo Conceição, Mariana Tornelli, Pedro Oliveira, Socorro Andrade de Lima Pompilio e Yan Leite Chaparro.  Instagram Twitter Youtube Tiktok

Rua 14: o rio submerso

A 14 e o rio parecem hoje lutar uma guerra, a política é uma guerra, uma guerra para cometer a imprudência de viver Por Yan Chaparro Arte: Norberto Liberator A rua é um vale, de dia o trabalho, de noite a alegria. Ouvi dizer que o contrário do ódio é a alegria. O que o rio pensaria sobre a rua que talvez expresse o desejo de emergir?   O rio foi submetido ao asfalto, hoje a 14 parece não querer se submeter às façanhas que racionam a alegria. O rio deve se alegrar ao escutar o canto do samba que expressa a cachoeira.  O que aconteceria se o rio saísse para cantar e sambar? Já disseram que se todo mundo sambasse a vida seria melhor. A 14 é um vale e se pronuncia como um vale, é a profundeza, o alimento e a nascente.  Mas, a 14 e o rio parecem hoje lutar uma guerra, a política é uma guerra, uma guerra para cometer a imprudência de viver.  O rio é poética, e também é gente. O rio talvez celebre silenciosamente, debaixo do asfalto, o desejo de não mais se submeter aos caprichos do poder, podres. Instagram Twitter Youtube Tiktok

A clínica como ponta de lança

Recursos que têm por objetivo assistir pacientes também podem reproduzir violências Por Yan Chaparro Muitas vezes a clínica pode cometer uma dupla violência, quando desvia os olhos para as consequências relacionadas às violências no campo racial, sexual, de gênero e de classe. Dupla violência, pois ao invés de encarar de frente as violências, se esconde sorrateiramente em alguma teoria ou diagnóstico, e acaba produzindo uma clínica dissociada, um território cindido do cuidado. A cada dia que passa, que os pés caminham pela clínica, é possível compreender de corpo inteiro, que os sofrimentos cuidados no campo clínico, tanto nos atendimentos individuais, quanto em grupo, são produzidos historicamente por violências que a pessoa sofre por ser subjugada e subalternizada (os corpos sociais). Sofrimentos que não são só micros, e sim macros, construídos nas engrenagens da sociedade vivida, sofrimentos que quando encarados no campo micro da clínica, seu cosmo torna-se cosmopolítico, movendo um enfrentamento que envolve o cuidado e o movimento de caminhar e produzir transformações, saídas e revoluções. Uma clínica que não enfrenta as violências que são micro e macro, cai em um lugar perigoso, do dogmatismo moralista vestido de alguma teoria extraterrestre e fantasiosa, digo extraterrestre, pois não pisa o mesmo chão do sofrimento aberto em sua frente.  Muitas vezes o que é denominado e diagnosticado com nomes fantásticos e outras nomenclaturas, é na verdade o sofrimento encarnado no corpo atingido cotidianamente por violências de diversas formas.  Como uma lança, a clínica necessita cada vez construir poéticas e políticas de revoluções (rebeldias sensíveis), e tecer diversos desejos e concretudes para além de fetiches, clichês e fantasmas. Uma clínica que expande o corpo. Yan Chaparro Psicólogo, psicodramatista, doutor em Desenvolvimento Local, pós-doutor em Antropologia Social e em Desenvolvimento Local. Instagram Twitter Youtube Tiktok