A Via Campesina

Movimento internacional une organizações de diferentes países em prol da distribuição de terras e alimentação saudável Por Panchulei (publicado originalmente em espanhol – El Otro Archivo)Tradução: Norberto Liberatôr (Para ver em modo carrossel, clique na imagem) A nova edição impressa da Badaró já está disponível. Clique aqui para adquirir a sua! Instagram Twitter Youtube Tiktok
Estudo indica que Cerrado pode armazenar mais carbono que Amazônia

Pesquisadores alertam para risco climático com degradação do bioma Rafael Cardoso (Agência Brasil) A Amazônia e outras florestas tropicais são conhecidas por serem reservatórios naturais de carbono do planeta e, portanto, aliadas fundamentais no combate às mudanças climáticas. Um estudo publicado nesta quinta-feira (12) na revista científica New Phytologist mostra que áreas úmidas do Cerrado podem armazenar cerca de 1.200 toneladas métricas de carbono por hectare, até seis vezes mais do que a densidade média na Amazônia. O trabalho foi liderado pela pesquisadora Larissa Verona, em parceria com cientistas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), do Cary Institute of Ecosystem Studies (Estados Unidos), do Instituto Max Planck (Alemanha) e do Jardim Botânico do Rio de Janeiro. É a primeira avaliação detalhada dos estoques de carbono presentes nos solos dessas áreas do Cerrado, conhecidas como veredas e campos úmidos. Pesquisadores coletaram amostras de solo de até quatro metros de profundidade. Estudos anteriores conseguiram analisar apenas camadas superficiais, de 20 centímetros a um metro de profundidade, o que produziu resultados que subestimaram o carbono total em até 95%. Acúmulo A análise também mostrou que parte desse carbono é extremamente antigo. Testes de datação por radiocarbono indicam que o material orgânico presente nesses solos tem idade média de cerca de 11 mil anos, com registros que ultrapassam 20 mil anos. “Esse carbono levou muito tempo para se acumular. Se ele for perdido, não podemos reconstruí-lo rapidamente, como ocorre com uma floresta que pode ser replantada”, afirma Larissa Verona. O Cerrado é o segundo maior bioma da América do Sul, ocupando cerca de 26% do território brasileiro. Além de ser considerado a savana mais biodiversa do mundo, abriga as nascentes de aproximadamente dois terços das grandes bacias hidrográficas do país, incluindo sistemas que alimentam o rio Amazonas. “As condições úmidas dos campos e veredas criam falta de oxigênio, o que desacelera a decomposição de plantas e outros resíduos. Como resultado, a matéria orgânica se acumula ao longo do tempo e permite que esses ambientes armazenem grandes quantidades de carbono”, explica a pesquisadora Amy Zanne, coautora do estudo. Riscos climáticos Segundo os pesquisadores, a importância do Cerrado para o clima global ainda é subestimado. “O enorme estoque de carbono do Cerrado não costuma ser incluído nos cálculos climáticos porque, até recentemente, não sabíamos que ele estava ali”, afirma Zanne. A expansão da agricultura, a drenagem de áreas úmidas e a retirada de água para irrigação estão entre as principais ameaças. Quando o solo seca, o material orgânico se decompõe rapidamente e se transforma em dióxido de carbono e metano, gases responsáveis pelo aquecimento global. “Se começarmos a drenar essas turfeiras e liberar esse carbono acumulado, lançaremos bombas de carbono na atmosfera. É uma quantidade de carbono orgânico até então desconhecida, em uma grande extensão e em um bioma improvável”, alerta o professor da Unicamp, Rafael Oliveira. Além disso, medições feitas pela equipe indicam que cerca de 70% das emissões anuais de gases de efeito estufa desses ambientes ocorrem durante a estação seca, período em que o solo perde umidade e a decomposição se acelera. Com temperaturas mais altas e períodos secos mais longos, a tendência é que uma parcela maior do carbono armazenado no solo seja liberada nos próximos anos. Cerrado sob pressão O bioma já enfrenta pressões crescentes de mudanças no uso do solo. Grandes áreas do Cerrado vêm sendo convertidas para produção agrícola e pecuária, frequentemente com drenagem de áreas úmidas. Os autores defendem a ampliação da proteção das áreas úmidas e maior reconhecimento de seu papel climático. Embora a legislação brasileira já preveja proteção para esses ambientes, pesquisadores estimam que até metade dessas áreas já sofreu algum tipo de degradação. “Chamamos o Cerrado de bioma de sacrifício, porque o Brasil quer proteger a Amazônia, mas também quer manter a agricultura. Então, o agronegócio acaba convertendo o Cerrado para a produção de commodities”, diz Larissa Verona. “O Cerrado também é fundamental por seus grandes estoques de carbono de longo prazo, e precisamos lutar para protegê-lo”. Instagram Twitter Youtube Tiktok
Rua 14: o rio submerso

A 14 e o rio parecem hoje lutar uma guerra, a política é uma guerra, uma guerra para cometer a imprudência de viver Por Yan Chaparro Arte: Norberto Liberator A rua é um vale, de dia o trabalho, de noite a alegria. Ouvi dizer que o contrário do ódio é a alegria. O que o rio pensaria sobre a rua que talvez expresse o desejo de emergir? O rio foi submetido ao asfalto, hoje a 14 parece não querer se submeter às façanhas que racionam a alegria. O rio deve se alegrar ao escutar o canto do samba que expressa a cachoeira. O que aconteceria se o rio saísse para cantar e sambar? Já disseram que se todo mundo sambasse a vida seria melhor. A 14 é um vale e se pronuncia como um vale, é a profundeza, o alimento e a nascente. Mas, a 14 e o rio parecem hoje lutar uma guerra, a política é uma guerra, uma guerra para cometer a imprudência de viver. O rio é poética, e também é gente. O rio talvez celebre silenciosamente, debaixo do asfalto, o desejo de não mais se submeter aos caprichos do poder, podres. Instagram Twitter Youtube Tiktok
Em Porto Murtinho, Profª Gleice Jane fiscaliza impactos ambientais no Rio Paraguai

Deputada inicia agenda de 2026 nesta segunda-feira (5) com vistoria técnica e reunião para debater compromissos para 2026 Da redação Foto: Reprodução/Assessoria Gleice Jane A deputada estadual Prof.ª Gleice Jane (PT) cumpre sua primeira agenda oficial em 2026 em Porto Murtinho. A visita será nesta segunda-feira (5) e tem como objetivo debater questões ambientais. À convite da Comissão de Portos, Ribeirinhos, Isqueiros, Passeiros, Pescador Profissional e Autônomo, Moradores de Porto Murtinho (CPRIPPM), a deputada realizará um percurso técnico pelo Rio Paraguai para observar os impactos gerados pelo desmatamento, poluição, assoreamento, agrotóxicos e outros agentes degradantes. “Nosso mandato prioriza a preservação dos nossos recursos naturais e o sustento das comunidades que dependem do rio. Ver de perto a situação do Rio Paraguai é fundamental para discutirmos soluções na Assembleia”, afirma a deputada. A agenda em Porto Murtinho é o primeiro compromisso oficial da deputada Prof.ª Gleice Jane em 2026, que já trabalha na articulação de uma emenda parlamentar de R$ 50 mil para a cidade, em resposta à solicitação do vereador Prof. Alessandro (PSDB). O valor deve ser destinado à compra de material permanente para unidades de atenção primária à saúde. A Prof.ª Gleice Jane encerra sua visita em reunião aberta, com a participação de pescadores, passeiros, isqueiros, indígenas, ribeirinhas e autoridades, na sede do CPRIPPM. A conversa está programada para às 16h, e deve debater questões políticas da cidade e as análises realizadas durante a vistoria do Rio Paraguai. Serviço Reunião: Escuta da realidade, compromissos para 2026 Local: Sede da CPRIPPM, às 16h Endereço: Rua Pedro Celestino, nº 1053 – Porto Murtinho (MS) Instagram Twitter Youtube Tiktok
Massacre de Iguatemi

Ataque de jagunços em área de retomada guarani-kaiowá deixa um morto e feridos em Mato Grosso do Sul, estado que é um dos líderes em vio|ência contra povos indígenas no Brasil. Por Norberto Liberator Instagram Twitter Youtube Tiktok