Líder do Irã promete vingança e manter fechado Estreito de Ormuz

Mojtaba Khamenei fez primeira fala após ser eleito para cargo máximo   Lucas Pordeus León (Agência Brasil) No primeiro pronunciamento público desde que foi eleito Líder Supremo do Irã, o aiatolá Mojtaba Khamenei prometeu, nesta quinta-feira (12), vingança “pelo sangue de seus mártires” assassinados por Israel e Estados Unidos (EUA), além de manter os ataques às bases militares do inimigo nos países do Oriente Médio.  “Não abandonaremos a busca por vingança. A vingança que temos em mente não se relaciona apenas ao martírio do grande Líder da Revolução. Pelo contrário, cada membro da nação que é martirizado pelo inimigo é um sujeito independente no dossiê de retribuição”, afirmou o aiatolá em mensagem lida pela mídia iraniana. O novo chefe de Estado em Teerã, que substituiu o pai Ali Khamenei, assassinado em bombardeio no primeiro dia da guerra, ainda prometeu manter o Estreito de Ormuz fechado. “Caros irmãos de armas! A vontade das massas populares é continuar a defesa eficaz e que cause pesar. Além disso, a alavanca do bloqueio do Estreito de Ormuz deve certamente continuar a ser utilizada”, afirmou. O fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã, por onde transitam cerca de 25% do petróleo mundial, tem abalado os mercados, obrigando países a decidirem liberar estoques de emergência. Eixo da Resistência Mojtaba Khamenei ainda prometeu cobrar os adversários pelos prejuízos econômicos causados pela guerra e manter o apoio do Irã ao Eixo da Resistência, formado por grupos paramilitares como Hamas e Hezbollah. “Exigiremos indenização do inimigo e, se eles se recusarem, confiscaremos o máximo de seus bens que considerarmos apropriado e, se isso não for possível, destruiremos a mesma quantidade de seus bens”, completou o novo Líder Supremo iraniano. Em relação ao Eixo da Resistência, que o Irã apoia e foi apontado como um dos motivos para Israel e EUA atacarem a República Islâmica, o aiatolá Mojtaba explicou que esse apoio “é parte inseparável dos valores da Revolução Islâmica”. <<Entenda os desdobramentos do ataque dos EUA e Israel contra o Irã Vizinhos do Irã O novo Líder Supremo acrescentou que está disposto a manter relações “cordiais e construtivas” com todos os 15 países que o Irã tem fronteira, terrestre ou marítima. Mojtaba ponderou, contudo, que algumas bases militares desses países foram usadas pelo agressor para atacar o Irã. “Sem atacar esses países, alvejamos exclusivamente essas mesmas bases. De agora em diante, inevitavelmente continuaremos com isso”, prometeu. Nessa quarta-feira (11), com abstenções da China e da Rússia, o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou resolução apresentada pelo Bahrein para que Teerã pare as retaliações contra países árabes da região. Em seu primeiro comunicado, o Líder Supremo cobrou que os países que hospedam bases dos EUA para que esclareçam sua posição em relação aos agressores do Irã. “Aconselho-os a fechar essas bases o mais rápido possível, pois já devem ter percebido que a alegação dos Estados Unidos de estabelecer segurança e paz não passava de uma mentira”, sugeriu o aiatolá. O filho de Ali Khamenei, o novo Líder Supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, ainda apelou para a necessidade de unidade entre “todos os estratos” da sociedade iraniana frente ao inimigo, deixando de lado as “divergências” internas e agradeceu aos combatentes iranianos. “Meus sinceros agradecimentos aos nossos bravos combatentes que, com seus golpes esmagadores, bloquearam o caminho do inimigo e o fizeram abandonar a ilusão de poder dominar nossa querida pátria e possivelmente dividi-la”, completou. Mojtaba Khamenei disse ainda que soube da sua nomeação pela imprensa iraniana e lembrou dos familiares mortos nos ataques israelenses e estadunidenses. Além do pai, Mojtaba perdeu a esposa, uma irmã e seu sobrinho pequeno, além de um cunhado casado com outra irmã. Eleição da Assembleia dos Especialistas No Irã, o Líder Supremo é eleito pela Assembleia dos Especialistas (ou dos Peritos), formada por 88 clérigos religiosos escolhidos por voto popular. Apesar do cargo ser vitalício, a Constituição do Irã permite que a Assembleia destitua o Líder Supremo. No cargo de líder supremo há 36 anos, Ali Khamenei estava no topo da estrutura de Poder da República Islâmica do Irã que, além do Executivo, do Parlamento e do Judiciário, conta com o Conselho dos Guardiões, formado por seis indicados pelo Líder Supremo e seis indicados pelo Parlamento. O Líder Supremo funciona como uma espécie de Poder Moderador no Irã. As Forças Armadas são diretamente ligadas a ele, e não ao Executivo. Instagram Twitter Youtube Tiktok

Puerto Rico es Puerto Libre

A nação de Bad Bunny, Ricky Martin e tantos outros expoentes culturais ainda é uma colônia dos Estados Unidos Por Norberto Liberatôr Instagram Twitter Youtube Tiktok

Eduardo Bolsonaro, o lesa-pátria

Filho de ex-presidente inelegível se dedica a planejar subserviência imperial e ataque à soberania nacional Vitória Regina Correia Nos últimos meses, Eduardo Bolsonaro, deputado federal licenciado pelo PL-SP e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, tem protagonizado uma série de episódios que intensificaram as tensões políticas e jurídicas no Brasil. Desde que solicitou licença de 122 dias da Câmara dos Deputados em março de 2025 e passou a residir nos Estados Unidos sob o argumento da defesa da liberdade de expressão, Eduardo expandiu ataques ao Supremo Tribunal Federal e incentivou interferências externas contra o Brasil. Sua atuação, marcada por discursos autoritários e alianças com figuras ligadas à extrema direita, mostra um projeto de poder que se ancora na destruição das instituições democráticas brasileiras. Durante entrevista concedida ao podcast Inteligência Ltda., Eduardo Bolsonaro, acompanhado de Paulo Figueiredo, neto do ditador João Figueiredo, afirmou que o seu plano político está “seguindo de forma magistral”. Em sua fala, declarou que, se necessário, seria legítimo “incendiar a floresta inteira para caçar um bandido”.  No contexto da declaração, a floresta parece ser uma metáfora para o Brasil e o inimigo a ser caçado, ainda que não nomeado diretamente, é representado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes e, por extensão, pelas instituições que impõem limites ao avanço da agenda autoritária bolsonarista. A frase sintetiza não apenas o desprezo pela institucionalidade democrática, mas também a disposição de destruir o país para salvar um projeto de poder. Na mesma entrevista, Eduardo defendeu que Lula deveria publicamente apoiar a anistia ampla e irrestrita a todos os envolvidos na tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023. Argumentou que, agora que a esquerda está com o “chicote”, deve ser generosa, pois, segundo ele, caso a extrema direita volte ao poder, não defenderá qualquer tipo de censura ou restrição à liberdade de expressão. A afirmação tenta construir uma imagem de equilíbrio, mas revela uma lógica perversa de chantagem política, em que os princípios democráticos são usados como moeda de troca para garantir impunidade aos que atentaram contra a própria democracia. Ao tentar apresentar Jair Bolsonaro como um político “extremamente democrático”, Eduardo finge não lembrar de uma série de episódios que desmentem essa narrativa. Em 2016, durante a votação do impeachment da presidenta Dilma Rousseff, Jair dedicou seu voto ao coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, reconhecido pela Justiça brasileira como torturador e símbolo da repressão da ditadura militar. A exaltação pública de um agente do terror de Estado foi um gesto calculado e ideológico, que indicava com clareza o alinhamento da família Bolsonaro com o autoritarismo. Outra demonstração do desprezo de Jair Bolsonaro pela institucionalidade democrática foi o cartaz colado na porta de seu gabinete, quando ainda era deputado federal. A frase “quem procura osso é cachorro” zombava das famílias de desaparecidos políticos que, por décadas, buscaram por restos mortais de seus entes assassinados pelo regime militar. O gesto não foi apenas ofensivo, mas profundamente simbólico, pois negava o direito à memória, à verdade e à justiça, pilares indispensáveis à democracia. Em mais um momento marcante de sua trajetória política, Jair Bolsonaro apareceu em público ao lado de um homem que partiu ao meio a placa em homenagem à vereadora Marielle Franco, assassinada no Rio de Janeiro. Em outra ocasião, o então candidato à presidência da República falou em “fuzilar a petralhada”, em referênciaaos apoiadores do Partido dos Trabalhadores. Esse tipo de declaração não é um desvio isolado, mas parte de uma prática sistemática de incitação à violência, de deslegitimação dos adversários políticos e de flerte constante com a ruptura democrática. A defesa da anistia irrestrita por parte de Eduardo Bolsonaro, feita em nome da liberdade de expressão, é, na verdade, uma tentativa de reabilitar o projeto golpista derrotado nas urnas e condenado nas ruas. Não há nada de republicano em pedir perdão para quem organizou, financiou ou participou de atos que buscaram subverter a ordem democrática. A proposta não visa a reconciliação, mas esquecimento. Quando Eduardo fala em incendiar a floresta, não se trata de uma figura de linguagem vazia. Ele está, mais uma vez, defendendo a destruição simbólica e concreta do país em nome da manutenção de um projeto autoritário e excludente. Ao contrário do que diz, não é a liberdade que está em jogo, mas o direito de seguir impune. O Brasil precisa de memória, justiça e verdade, não de pactos com quem insiste em repetir os erros mais brutais da nossa história. Instagram Twitter Youtube Tiktok