Riedel foge de protesto e aciona PM para reprimir manifestantes; veja fotos

Governador de MS ordenou isolamento de Grito dos Excluídos após desfile de 7 de setembro Texto: Norberto Liberator Fotos: Danilo Gonçalves O governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (PP) acionou a tropa de choque e a cavalaria da Polícia Militar para reprimir manifestantes pacíficos em Campo Grande neste domingo (7 de setembro). A repressão ocorreu durante a passeata do Grito dos Excluídos. O ato, que ocorre tradicionalmente após o desfile cívico do feriado de independência, foi isolado por forças policiais para que o governador tivesse tempo de sair da área reservada a autoridades, enquanto a multidão se aproximava com gritos de “Fora Riedel”. Policiais chegaram a atirar spray de pimenta diretamente nos olhos de um manifestante. O material atingiu inclusive lideranças políticas, como o vereador Jean Ferreira, a vereadora Luiza Ribeiro, a deputada federal Camila Jara, o deputado federal Vander Loubet, os deputados estaduais Zeca do PT e Pedro Kemp, o ex-deputado federal Fábio Trad e o superintendente do Patrimônio da União em Mato Grosso do Sul, Tiago Botelho, todos do PT. Um manifestante chegou a ser preso. Confira nas fotos: Instagram Twitter Youtube Tiktok
Travestis em cena: ColetivA de Trans para Frente leva corpos dissidentes ao palco e às ruas em Campo Grande

Grupo tem se apresentado pela cidade com equipe formada por travestis e pessoas trans Por Vitória Regina Correia Foto: Ana Laura Menegat A arte travesti ocupa, provoca e transforma. É com esse gesto político e estético que nasceu, em Campo Grande, a ColetivA De Trans pra Frente, primeira companhia do Mato Grosso do Sul formada exclusivamente por pessoas trans e travestis. Criada pela multiartista, professora e diretora Emy Santos, o grupo vem consolidando um espaço inédito de criação e de protagonismo para corpos historicamente marginalizados. Em 2024, a coletiva estreou seu primeiro espetáculo, O Culto das Travestis. A montagem voltou aos palcos em agosto de 2025, no Sesc Teatro Prosa, agora com um novo elenco. No próximo domingo (7), as artistas também sobem ao palco em participação especial no show da cantora Liniker, em Campo Grande — mais um marco de visibilidade para o grupo. O trabalho da ColetivA De Trans pra Frente mistura dança, teatro e performance para refletir sobre os espaços que pessoas trans e travestis ocupam — ou dos quais são sistematicamente excluídas. Para a fundadora e diretora do grupo, a multiartista e professora Emy Santos, a criação surge de uma urgência social e política. “A ColetivA De Trans pra Frente nasce da necessidade de unir artistas trans e travestis no Mato Grosso do Sul, levando propostas artísticas, culturais e pedagógicas que envolvem protagonismo. Desenvolvemos ações, encontros, oficinas, espetáculos e eventos, sempre com a intenção de levantar questões ligadas a gênero, sexualidade, raça e contexto social”, afirma. O principal trabalho da coletiva é O Culto das Travestis, que Emy define como mais que espetáculo: um rito de acolhimento e resistência. Criado a partir de pesquisas individuais e encontros coletivos, o projeto transforma vivências em arte e propõe novas formas de espiritualidade e sacralidade travesti. “Essa obra é um espaço de cuidado e escuta, porque justamente nos é negado esse espaço. Quando nos encontramos, conseguimos nos olhar, curar feridas e fortalecer nossos trabalhos. É uma resposta à violência e ao conservadorismo que tentam nos silenciar. Criamos arte para criar vida”, explica. Segundo a diretora, a montagem rompe com imaginários que reduzem travestis à marginalidade. Ao incorporar referências religiosas e espirituais em sua estética, a peça afirma que identidades travestis também podem ser sagradas, profanas e livres. O alcance do trabalho já ultrapassa as fronteiras nacionais. Com O Culto das Travestis, Emy Santos participou do Festival OFF Avignon, na França, levando ao cenário internacional a discussão sobre a arte trans contemporânea produzida em Mato Grosso do Sul. “O próprio nome do espetáculo é ousado e forte. Somos artistas que resistem, que transformam, e o nosso trabalho mistura performance, ativismo e cultura. Também criamos rodas de conversa e oficinas, espaços de cuidado para corpos historicamente marginalizados”, afirma. A recepção do público tem sido intensa. Na reestreia realizada no Sesc Teatro Prosa, em Campo Grande, uma procissão pelas ruas abriu a apresentação, seguida pela partilha de chá com a plateia antes da entrada no teatro. “As pessoas cantaram conosco, tomaram chá e entraram no espaço de outra forma. Muitos se emocionaram, choraram. Foi muito especial ver pessoas idosas presentes. Isso mostra que conseguimos furar a bolha”, relembra Emy. Mais que um grupo artístico, a ColetivA De Trans pra Frente se coloca como um ato de resistência. Entre palco e rua, suas ações reafirmam a presença e a potência de pessoas trans e travestis, não apenas em Campo Grande, mas em diferentes partes do mundo. Instagram Twitter Youtube Tiktok
Jardim Secreto tem oficina de pintura para crianças neste sábado

Aulas serão ministradas pela artista Melissa de Aguiar e ocorrerão das 10h às 12h Norberto Liberator Ocorre neste sábado (6) a primeira oficina de arte voltada para crianças do Sementes Ateliê. O evento acontecerá das 10h às 12h, no espaço Jardim Secreto, localizado na Rua Barão de Melgaço, 180, na região central de Campo Grande. As aulas serão ministradas pela artista visual e arte-educadora Melissa de Aguiar. A oficina promete uma experiência imersiva, conectando os pequenos artistas à natureza por meio da arte. Não é necessário ter experiência prévia com pintura, apenas entusiasmo e curiosidade para explorar novas formas de desenhar. “Queremos que as crianças se sintam livres para criar e experimentar”, destaca a artista. O investimento para participar é de R$ 100 e todos os materiais já estão garantidos pela organização. As vagas são limitadas, e os ingressos podem ser adquiridos pelo Sympla clicando neste link. A artista visual Melissa de Aguiar, que ministrará a oficina de pintura para crianças no Jardim Secreto, exibe uma de suas obras. Foto: Norberto Liberator Instagram Twitter Youtube Tiktok
Jean participa de mutirão de limpeza em futura Casa de Acolhimento LGBT

Vereador, superintendente e deputada se unem ao movimento LGBT para mobilizar ação de pressão e tirar projeto do papel Norberto Liberator (com assessoria) Foto: Maria Laura Corrêa O vereador Jean Ferreira (PT) ajudou a organizar, neste domingo (17), um mutirão de limpeza no imóvel onde deve ser construída a primeira Casa de Acolhimento LGBTQIAPN+ de Mato Grosso do Sul, localizada na região central de Campo Grande. A ação contou com a deputada federal Camila Jara (PT), o superintendente estadual do Patrimônio da União, Tiago Botelho, a Defensoria Pública da União e a Defensoria Pública do Estado de Mato Grosso do Sul, além de apoiadores e figuras do movimento social da cidade. A ação teve como objetivo chamar atenção para a viabilização da Casa, que já conta com a cessão do imóvel e destinação de emendas. No entanto, a execução ainda depende do governo estadual. O projeto foi inicialmente alocado na Secretaria Estadual de Cidadania (SEC) e vinculado à Subsecretaria LGBT, no entanto, teve o cronograma para sua implementação adiado e projeto inicial descaracterizado. A casa de acolhimento pretende ser um espaço seguro para a população LGBT em Campo Grande, oferecendo atendimento psicológico, assistência jurídica, serviços de saúde mental, alimentação e alojamento temporário. Estudos realizados por pesquisadores do curso de Arquitetura da UFMS confirmam que a localização do imóvel é adequada e segura para essa parcela da população. “Nós vimos a agressão que aconteceu na semana passada. Se já houvesse a Casa de Acolhimento, pelo menos eles [as vítimas] poderiam vir para cá, ou nem teria ocorrido, já que saberiam que aqui existe a Casa com a segurança feita pela Guarda Municipal”, afirmou o vereador Jean, referindo-se ao ato de violência ocorrido anteriormente contra dois jovens homossexuais, em frente à Esplanada Ferroviária. A proposta da Casa de Acolhimento surgiu por volta de 2008, mas só ganhou impulso em 2023, com a articulação de parlamentares, membros do governo federal e movimentos sociais junto à gestão do governador Eduardo Riedel (PSDB). Em 2023, a deputada federal Camila Jara destinou uma emenda parlamentar para viabilizar os recursos financeiros da construção da obra. Já em 2024, Tiago Botelho, superintendente do Patrimônio da União em Mato Grosso do Sul, garantiu a cessão do imóvel por meio do governo federal. Com a eleição de Jean Ferreira para a Câmara Municipal de Campo Grande, o projeto ganhou ainda mais força. Primeiro ativista LGBT+ a ser eleito vereador na capital, Jean tem sido um mobilizador importante desde a campanha eleitoral. Jean tem mobilizado lideranças da comunidade para pressionar a viabilização do projeto, além de articular reuniões e manter conversas para que a pauta seja priorizada. Instagram Twitter Youtube Tiktok
“Aqui não é lugar de viado”: violência expõe permanência de um Brasil estruturalmente LGBTfóbico

Jovem foi agredido no Centro de Campo Grande Vitória Regina Correia No último fim de semana, um estudante de 23 anos foi alvo de uma agressão violenta por um grupo de aproximadamente dez homens, nas proximidades da Feira Central, em Campo Grande/MS. O ataque, ocorrido em frente ao Armazém Cultural, é mais uma expressão das normas sociais q que buscam controlar como as pessoas devem se relacionar e se identificar quando o assunto é gênero e sexualidade. Segundo a vítima, as agressões tiveram motivação homofóbica, imediatamente após ele beijar outro rapaz — um gesto que subverte as expectativas normativas do espaço público. Uma das vítimas relatou que sobreviveu ao ataque apenas porque usava capacete. Esse ato de violência, marcado por ódio explícito, não é um episódio isolado. É a expressão de uma homofobia estrutural que atravessa as relações sociais brasileiras e que, historicamente, é reforçada por discursos e práticas que relegam pessoas LGBTQAPN+ a espaços de marginalidade e exclusão. O Brasil permanece, há mais de uma década, entre os países que mais matam a população LGBTQAPN+. Em 2024, foram registradas 291 mortes violentas motivadas por LGBTfobia, um aumento superior a 8% em relação a 2023, segundo o relatório do Grupo Gay da Bahia, a mais antiga organização LGBTQ+ da América Latina. Campo Grande figura como a 5ª capital mais perigosa para essa população, atrás apenas de Cuiabá, Palmas, Teresina e Salvador. Essa posição revela como a violência contra LGBTQAPN+ não está restrita a grandes centros ou a regiões específicas, mas é parte de um padrão nacional, marcado por desigualdades regionais, impunidade e um cenário político que, em muitos momentos, legitima a intolerância. A declaração dos agressores de que “aqui não é lugar de viado” não é apenas justificativa verbal de um ato de violência, mas a enunciação performativa de uma norma que demarca quais vidas podem habitar o espaço público — e quais devem ser expulsas dele. Trata-se da atualização de uma política não codificada juridicamente, mas sedimentada nas práticas sociais, que reafirma a precariedade de corpos e práticas considerados dissidentes e nega a eles o direito de existir sem medo. Instagram Twitter Youtube Tiktok