Site lançado por ONGs atualiza informações sobre caso Dom e Bruno

Jornalista britânico e indigenista brasileiro foram mortos em 2022 Letícia Treitero Kaiwada (Agência Brasil) Foto: Divulgação/Polícia Federal As organizações não governamentais (ONGs) Instituto Dom Phillips, a Artigo 19 e a Repórteres Sem Fronteiras (RSF) lançaram um portal para reunir informações confiáveis e atualizadas sobre o assassinato do jornalista britânico Dom Phillips e do indigenista brasileiro Bruno Pereira, em 2022 no Vale do Javari, no Amazonas. O Observatório dos Povos Indígenas Isolados (Opi) também está entre os idealizadores do projeto, batizado de Defensores do Javari. O site contém informações que permitem acompanhar desdobramentos e consultar ações resultantes de reuniões do Grupo de Trabalho Vale do Javari, criado no âmbito do Comitê Interministerial de Desintrusão. Dom e Bruno eram figuras centrais nas denúncias de crimes socioambientais que ocorriam na Terra Indígena (TI) Vale do Javari, no Amazonas. que abriga o maior contingente dos chamados povos livres, que vivem em isolamento. A proteção desses grupos é essencial, já que muitos são formados por pouquíssimas pessoas e sua cultura e suas comunidades correm risco de extinção.. Bruno Pereira era pessoa de confiança dos indígenas da região e atuava em conjunto com a União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja). Ele estruturou a Equipe de Vigilância da Univaja (EVU), responsável por identificar pontos de vulnerabilidade e capacitar indígenas para fazer a segurança das comunidades. Dom Phillips estava em viagem pelo território com o propósito de escrever um livro, que, com sua morte, foi finalizado por seus amigos. Pela gravidade do caso, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos foi acionada, a fim de provocar respostas ágeis das autoridades brasileiras na área. Instagram Twitter Youtube Tiktok

Estudo indica que Cerrado pode armazenar mais carbono que Amazônia

Pesquisadores alertam para risco climático com degradação do bioma   Rafael Cardoso (Agência Brasil) A Amazônia e outras florestas tropicais são conhecidas por serem reservatórios naturais de carbono do planeta e, portanto, aliadas fundamentais no combate às mudanças climáticas. Um estudo publicado nesta quinta-feira (12) na revista científica New Phytologist mostra que áreas úmidas do Cerrado podem armazenar cerca de 1.200 toneladas métricas de carbono por hectare, até seis vezes mais do que a densidade média na Amazônia. O trabalho foi liderado pela pesquisadora Larissa Verona, em parceria com cientistas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), do Cary Institute of Ecosystem Studies (Estados Unidos), do Instituto Max Planck (Alemanha) e do Jardim Botânico do Rio de Janeiro. É a primeira avaliação detalhada dos estoques de carbono presentes nos solos dessas áreas do Cerrado, conhecidas como veredas e campos úmidos. Pesquisadores coletaram amostras de solo de até quatro metros de profundidade. Estudos anteriores conseguiram analisar apenas camadas superficiais, de 20 centímetros a um metro de profundidade, o que produziu resultados que subestimaram o carbono total em até 95%. Acúmulo A análise também mostrou que parte desse carbono é extremamente antigo. Testes de datação por radiocarbono indicam que o material orgânico presente nesses solos tem idade média de cerca de 11 mil anos, com registros que ultrapassam 20 mil anos. “Esse carbono levou muito tempo para se acumular. Se ele for perdido, não podemos reconstruí-lo rapidamente, como ocorre com uma floresta que pode ser replantada”, afirma Larissa Verona. O Cerrado é o segundo maior bioma da América do Sul, ocupando cerca de 26% do território brasileiro. Além de ser considerado a savana mais biodiversa do mundo, abriga as nascentes de aproximadamente dois terços das grandes bacias hidrográficas do país, incluindo sistemas que alimentam o rio Amazonas. “As condições úmidas dos campos e veredas criam falta de oxigênio, o que desacelera a decomposição de plantas e outros resíduos. Como resultado, a matéria orgânica se acumula ao longo do tempo e permite que esses ambientes armazenem grandes quantidades de carbono”, explica a pesquisadora Amy Zanne, coautora do estudo. Riscos climáticos Segundo os pesquisadores, a importância do Cerrado para o clima global ainda é subestimado. “O enorme estoque de carbono do Cerrado não costuma ser incluído nos cálculos climáticos porque, até recentemente, não sabíamos que ele estava ali”, afirma Zanne. A expansão da agricultura, a drenagem de áreas úmidas e a retirada de água para irrigação estão entre as principais ameaças. Quando o solo seca, o material orgânico se decompõe rapidamente e se transforma em dióxido de carbono e metano, gases responsáveis pelo aquecimento global. “Se começarmos a drenar essas turfeiras e liberar esse carbono acumulado, lançaremos bombas de carbono na atmosfera. É uma quantidade de carbono orgânico até então desconhecida, em uma grande extensão e em um bioma improvável”, alerta o professor da Unicamp, Rafael Oliveira. Além disso, medições feitas pela equipe indicam que cerca de 70% das emissões anuais de gases de efeito estufa desses ambientes ocorrem durante a estação seca, período em que o solo perde umidade e a decomposição se acelera. Com temperaturas mais altas e períodos secos mais longos, a tendência é que uma parcela maior do carbono armazenado no solo seja liberada nos próximos anos. Cerrado sob pressão O bioma já enfrenta pressões crescentes de mudanças no uso do solo. Grandes áreas do Cerrado vêm sendo convertidas para produção agrícola e pecuária, frequentemente com drenagem de áreas úmidas. Os autores defendem a ampliação da proteção das áreas úmidas e maior reconhecimento de seu papel climático. Embora a legislação brasileira já preveja proteção para esses ambientes, pesquisadores estimam que até metade dessas áreas já sofreu algum tipo de degradação. “Chamamos o Cerrado de bioma de sacrifício, porque o Brasil quer proteger a Amazônia, mas também quer manter a agricultura. Então, o agronegócio acaba convertendo o Cerrado para a produção de commodities”, diz Larissa Verona. “O Cerrado também é fundamental por seus grandes estoques de carbono de longo prazo, e precisamos lutar para protegê-lo”. Instagram Twitter Youtube Tiktok

Não existe fenótipo indígena: a estereotipação de pessoas amazônidas

Características comuns a pessoas do Norte do Brasil costumam ser erroneamente interpretadas como inerentes a povos indígenas Thai Rodrigues Thai Rodrigues Ilustradora brasileira residente em Macapá. Trabalha com o estilo cartoon e busca abordar aspectos da região amazônica. Integra o coletivo de artistas nortistas Iukytáias. Instagram Twitter Youtube Tiktok