Game over para Viktor Orbán
Opinião da Badaró
Arte: Matías Bits
A derrota colossal do Fidesz, partido de Viktor Orbán, não deve ser compreendida apenas como um episódio político da Hungria. Trata-se de uma derrota também da extrema direita global, que há anos tem se organizado como uma rede internacional. Foi na embaixada daquele país, então sob governo de Orbán, que Jair Bolsonaro esteve quando seu passaporte foi apreendido, por exemplo. A tentativa de asilo político na Hungria era óbvia.
Orbán não foi apenas o primeiro-ministro que governou por 16 anos consecutivos aparelhando o Judiciário, criando superpoderes para si mesmo, perseguindo opositores e criando políticas contra a imigração de povos “indesejados” em um pequeno país do Leste Europeu. Ele é uma peça importante do jogo neofascista global, com conexões que vão muito além das fronteiras húngaras.
O agora ex-premiê era um dos principais componentes do “The Movement”, organização idealizada pelo marketeiro Steve Bannon, um dos maiores estrategistas da extrema direita mundial. Embora o movimento não tenha seguido da forma como se planejou, havia na Hungria uma espécie de “modelo” a ser reproduzido a adaptado mundo afora.
Embora Peter Magyar e seu partido Tisza, vencedores nas eleições parlamentares, sejam de centro-direita, a derrota de Orbán ainda representa um grande revés para o neofascismo a nível internacional. A Hungria não deve passar por uma grande mudança social, mas a chamada “alt right” perde uma referência, um porto seguro e um Estado financiador.